Sáb, 21 de Novembro de 2009 00:00
Em palestra na Comissão Especial para revisão do Código Florestal, o professor Paulo Afonso Leme Machado, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), defendeu a criação de uma Bolsa Ecologia destinada a todos os produtores rurais que conservarem suas matas ciliares. "A exemplo do Bolsa Família, essa Bolsa Ecologia funcionaria, na forma de crédito, como incentivo do governo federal para os proprietários manterem essas áreas bem preservadas e bem protegidas".
A audiência pública foi presidida pelo deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR). Segundo Leme Machado, o Conama não deve legislar sobre o meio ambiente, como acontece hoje em dia, pois esta é uma função do Congresso Nacional. Ele recorreu à Constituição Federal e ao Código Civil para explicar que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações, "mas se observa que neste aspecto a Constituição Federal não está sendo cumprida. Mudanças Climáticas foi o tema da palestra do ex-reitor da Universidade de Brasília, José Carlos de Almeida Azevedo, durante a qual ele teceu duras críticas ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que divulgou notícias alarmantes sobre o "efeito estufa", mostrando ser uma ameaça à vida na terra motivada pelo aumento da concentração do CO² na atmosfera. "Qualquer ramo do conhecimento que pretenda ser científico e prever o futuro deve explicar o passado, o que não faz o IPCC". Azevedo afirmou que os geólogos têm registros de temperaturas e de níveis de carbono na terra ao longo de bilhões de anos que contradizem o IPCC: sempre houve variações no clima e na concentração de CO² antes da Era Industrial e não há correlação entre as variações da temperatura e as do CO², exceto quanto ao seguinte: a concentração de CO² sempre aumentou depois de a temperatura aumentar e há milhões de anos houve concentrações de CO² superiores à atual. Piquenique Segundo Azevedo, as mudanças climáticas são normais, sempre existiram e não há como alterá-las, pois envolvem quantidades fantásticas de energia, acompanham ciclos astronômicos e sofrem influência das radiações cósmicas. "Cinco vezes, mais de 70% de todas as espécies foram extintas e ressurgiram de novo, desde o aparecimento das primeiras formas de vida". Para ele, o que existe nessas previsões e projeções climáticas são alarmes falsos, discursos, artigos ocos e manifestações de burocratas sem qualquer preparo científico. "Neste aspecto, Copenhague não vai passar de um festivo piquenique". O ex-deputado Fábio Feldmann rebateu o ex-reitor ao dizer que tratar a Conferência do Clima, que ocorrerá em dezembro em Copenhague, dessa forma é ter uma visão equivocada e desqualificar os debates que vão ocorrer naquele evento.
A seu ver, o Brasil poder exercer uma marcante liderança, tirar proveito e se beneficiar das discussões que lá vão ocorrer. Segundo ele, o Congresso Nacional está devendo ao país uma legislação ambiental moderna na direção da sustentabilidade e da proteção da biodiversidade e, nesse sentido, temos que pensar em soluções inovadoras, não com a cabeça no século XIX, mas com a cabeça no século XXI
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