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O dia letivo começa cedo, pois tudo que é realizado na escola envolvendo alunos e coordenadores. A casa Familiar Rural da Comunidade Rio da Prata em Santa Izabel do Oeste possui 30 alunos e transforma a vida dos jovens que a freqüentam, muitas delas, sem muitas condições financeiras, mas que através do que aprendem na escola conseguem mudar a realidade de suas famílias fazendo com que elas tirem da terra onde moram mais, lucros e também qualidade de vida. A educação da alternância é aplicada no método de ensino das Casas Familiares, isto é, os alunos passam uma semana em casa com a família e a outra na escola, eles inclusive dormem na escola.
Força de vontade não lhes falta. Vindos de famílias humildes e com noção de que aquele esforço pode significar muito futuramente para si e para a sua família. “O aluno vem, aprende e volta para casa podendo ensinar seus pais aperfeiçoando seus trabalhos para que eles possam obter mais lucros e também mais qualidade de vida”, afirmou o coordenador da escola, Osni Serafim Antunes.
Além das aulas em sala os alunos também têm contato com a terra e fazem visitas a propriedades na região que estejam de acordo com os temas estudados, por exemplo, quando eles estudam bovinocultura de leite, depois da teoria, visitam experiências em propriedades aperfeiçoam o ensinamento na prática.
 Na outra semana quando os alunos ficam em casa eles colocam em prática com a família tudo o que aprenderam, como no sitio de Miguel Antunes de Macedo, uma área de aproximadamente três alqueires, onde já é possível notar a diferença no sitio devido ao aprendizado na Casa Familiar. A propriedade faz parte do projeto Unidades de Referencia, que é realizado em algumas propriedades por algumas entidades do município ligadas à agricultura e uma delas é a Casa Familiar Rural que já formou um dos filhos de seu Miguel, Ailton, que inclusive realizou viagens a outros estados para prender outras técnicas e realidades. Agora, Marcos, enteado de seu Miguel é o responsável por trazer novos ensinamentos para a propriedade. Dona Gessi, esposa de Miguel, conta que muita coisa já mudou, destacando que a família ficou mais unida para trabalhar no sitio, “Foi muito bom, antes a gente pensava: será que dá para fazer as coisas? Mas tudo não passava de pensamento e hoje nós podemos ver que podemos fazer sim, como nós vivemos quase só da renda do leite, já mudamos a maneira de tratar os animais e podemos notar a diferença na produção. Nós também esperamos que com os meninos aprendendo a trabalhar no sitio, possam permanecer depois de formados implantando o que aprenderam na escola”, afirmou dona Gessi.
A Casa Familiar faz uma pesquisa junto as famílias, para definir o que vai ser ensinado na escola. Os temas sugeridos são os mais variados e muitas vezes até surpreendem os coordenadores, como o pedido de que os filhos aprendam a preencher corretamente uma Nota Fiscal de Produtor e não apenas isso, eles pediram que fosse lhes passado o ensinamento que como poder trabalhar com toda a burocracia, que muitas vezes parece um bicho de sete cabeças, mas é simples de se resolver.
“Quem pretende continuar na propriedade, deve fazer esse esforço, é difícil ficar longe de casa durante uma semana, fazemos amigos e os professores tomam lugares importantes em nossas vidas, são eles que nos passam muitos ensinamentos importantes, não apenas em como lidar com a terra, mas para nossa vida. Eu já aprendi muito, fiz viagens, conheci outros estados e estou me formando no final deste ano, espero que a escola consiga oferecer ensino médio, ai não preciso sair daqui muito cedo”, diz o aluno de 8ª série, Giovani Dias Jaboeski.
A escola conta hoje com duas turmas, uma de 6ª série e outra de 8ª, que além de estudar ajudam a cuidar da higiene do local e da horta, de onde tiram toda verdura necessária para sua alimentação. A escola pretende aumentar suas instalações, em breve, para abrigar um maior numero de alunos e quem sabe futuramente oferecer também ensino médio aos alunos.
(Tania Santor)
 


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