Ter, 07 de Fevereiro de 2012 14:48
No Brasil, 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. A falta de atendimento escolar é mais acentuada entre crianças de 4 a 5 anos (1.156.846 estão fora da educação infantil) e jovens de 15 a 17 anos (1.728.015). Os dados, com base no resultado preliminar do Censo de 2010, foram trabalhados e divulgados nesta terça-feira (7), pelo movimento Todos pela Educação.
Segundo a Emenda Constitucional nº 59, do ano de 2009, o governo tem até 2016 para garantir educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade.
"Essas crianças e jovens que ainda estão fora da escola é a população mais difícil e complicada de atender e garantir [sua permanência]", afirmou Priscila Cruz, diretora executiva do Todos pela Educação.
Se forem observadas as taxas por Estado, percebem-se diferenças muito acentuadas. Enquanto o Piauí atende 93,8% da população entre 4 e 17 anos, o Acre atende apenas 85%. Para Priscila Cruz, "a desigualdade educacional talvez seja o problema sistêmico maior que temos no país".
Entre 2000 e 2010 houve um aumento de 9,2% nas taxas de acesso à escola. Entretanto, nenhum Estado brasileiro conseguiu atingir a meta intermediária de atendimento escolar para 2010, estipulada pelo movimento. Até 2022, 98% ou mais das crianças e jovens de 4 a 17 anos deverão estar matriculados e frequentando a escola.
Veja as taxas de atendimento escolar da população de 4 a 17 anos em 2000 e 2010 em todos os Estados brasileiros
|
Estado |
Taxa de atendimento de 2000 (%) |
Meta para 2010 (%) |
Taxa de atendimento de 2010 (%) |
|
Acre |
71,6 |
90,6 |
85 |
|
Alagoas |
78,2 |
92,2 |
89,9 |
|
Amapá |
82,2 |
92,6 |
88,9 |
|
Amazonas |
71 |
92 |
85,5 |
|
Bahia |
84 |
93,3 |
92,2 |
|
Ceará |
87,1 |
94,3 |
92,7 |
|
Distrito Federal |
88 |
94,4 |
93,2 |
|
Espírito Santo |
83,1 |
93 |
91,2 |
|
Goiás |
83,5 |
92,7 |
89,9 |
|
Maranhão |
82,3 |
93,1 |
92,3 |
|
Mato Grosso |
79,6 |
92,3 |
89,4 |
|
Mato Grosso do Sul |
80,4 |
92,4 |
89,6 |
|
Minas Gerais |
83,8 |
93,4 |
91,8 |
|
Pará |
79,2 |
91,7 |
88,7 |
|
Paraíba |
84,6 |
93,6 |
92,2 |
|
Paraná |
81,7 |
92,6 |
90,5 |
|
Pernambuco |
83 |
92,8 |
91,5 |
|
Piauí |
84,4 |
93,9 |
93,8 |
|
Rio de Janeiro |
87,9 |
95,1 |
93,2 |
|
Rio Grande do Norte |
87,1 |
93,9 |
92,8 |
|
Rio Grande do Sul |
82,5 |
91,9 |
89,1 |
|
Rondônia |
73,9 |
90,3 |
87,3 |
|
Roraima |
84,9 |
93,5 |
86,9 |
|
Santa Catarina |
84,9 |
94,3 |
91,4 |
|
São Paulo |
86,4 |
94,7 |
93 |
|
Sergipe |
85 |
93,6 |
93,2 |
|
Tocantins |
80,3 |
92,5 |
90,8 |
*Fonte: Todos pela Educação
Desigualdades
O Estado com maior número de alunos fora da escola é São Paulo, que também é o mais populoso – são mais de 607 mil potenciais estudantes fora das salas de aula. O Estado com menos crianças e jovens fora da escola é Roraima, com 18.286.
A região Norte registrou o maior aumento de frequência: 14,2%. O Sudeste teve a menor taxa de crescimento, 8%, e apresenta os maiores números absolutos de crianças e jovens de 4 a 17 anos fora da escola: mais de 1,2 milhão. Mesmo com o baixo crescimento, a maior taxa de atendimento é verificada no Sudeste (92,7%), e a menor, no Norte (87,8%).
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