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Alencar Junior

Sem dúvida, a melhor coisa a fazer após baixar sobre seus ombros aquela sensação de “trabalho realizado com sucesso”, é assistir um bom filme.

Eis que volta o Big Brother Brasil. Mais uma vez, a Globo prenderá inúmeras pessoas diante de sua tela, tornando o pós novela das onze muito mais rendável que seu horário nobre.

Ah, o Natal e o Ano Novo! Que dias são esses hein? Esse ano, pra azar de uma galera acabou que o Natal caiu em um domingo. O povo, perguntava-se sem parar: “Será mesmo que ninguém vai dar um jeito de mudar?” E mal terminavam de proferir tais ditos escutavam uma voz forte e ávida: “Mudar para que? Glória aos céus que uma vez em tantos tempos o calendário nos ajuda! Não basta o 2012 cheio de feriados prolongados, e das emendas de folgas sindicais que virão, agora querem recesso na segunda? E nas duas datas festivas? Coisa nenhuma!”. E aí o coro de fundo, em tom melódico fúnebre, indaga: “Onde está o espírito natalino? Escondeu-se em que canto o sentimento de renovação do novo janeiro? O que faremos com as reconciliações, com os apertos de mãos?”.  E, como em um milagre, inimigos durante o ano inteiro estão abraçados; a amiga que foi falsa com você lhe mandou bombons; o seu camarada do ano que há de vir, aquele o qual havia meses não dava as caras, lhe manda um champagne, se você foi cabo leva um espumante; e aquela encrenca de setembro é resolvida com uma cesta farta! Ah, o clima de fim de ano! Como é teatral esse dezembro!

Quis ver de perto essa história de mudanças na essência molecular, essa conversa de vinho virar água; assustei-me. O milagre tem dia marcado! Começa em 15 de dezembro e termina no dia 2 de janeiro. Como? Por que motivo, razão ou circunstância? Não entendi ao certo, parece-me que depois das festas tudo volta ao estado normal, seja ele qual for. Mas antes disso, era dia 24.

Vinte e duas horas e dezoito minutos. As crianças que antes haviam sido levadas para fora agora podem voltar, afinal, o Papai Noel já deixara seus respectivos presentes embaixo da árvore grande do meio da sala. O papai e mamãe ralam e quem leva a credibilidade é o senhor do saco vermelho. Coisa de louco no mínimo. Então a criancinha que sempre ganhou tudo olha para o priminho desgarrado e diz: “Você viu quantos presentes eu ganhei a mais que você?” O priminho conta, foram dois a mais dos tios, um a mais da vovó... O número ficará muito grande, ele pensa consigo, dá uma olhada de sempre e deixa a priminha dos muitos presentes ali. Quando for meia noite essa mesma priminha irá sorrir e mandar um Feliz Natal. Contudo, avancemos uma semana e nos coloquemos no mesmo horário. O caboclo está falando mal do sócio: “Tão somente sou eu quem trabalha nesta empresa! Ele? Ele nada faz!” O sócio é juridicamente um funcionário desesperado. O sócio ceia com a família e planeja o novo ano na empresa. O mal agradecido liga e depois de mil dizeres formais enuncia como é feliz e realizado no negócio em conjunto. Quando badalar meia noite, seja no natal ou no ano novo, tudo será terno, aconchegante e irreal.

Acabamos com qualquer significado, com o sentido, com o qualquer coisa das festividades findeiras! Tornamos tudo um simples teatro, onde quem encena melhor leva a peça, ou não, isso tanto faz! Preocupamo-nos tão somente com o que nos interessa, e o resto, deixa rolar que é resto! Se alguém morrer, tanta gente morre; caso queimem-se com fogos, isso acontece sempre; por acaso a briga foi feia, manda bombons que passa. Primeiro de abril é dia da mentira? Coisa nenhuma! Se for, é o dia. O título de tempo de mentir vai para dezembro. Um dia da mentira prolongado como os feriados. Por quem? Ora! Que importa quem prolongou ou mentiu! Aproveitemos a festa e curtamos, do bom e velho verbo curtir, esse 2012 beta! Afinal, o ano oficial só começa após o carnaval meu bom!

Detesto essa história de fim de ano. E de começo também.

  Enfim chegaram as férias; com ela o Natal e o dito “New Year”. Tempos de descanso para alguns e de muito trabalho para outros, no fim do ano não tem essa, é oito ou oitenta. Se você fazer parte do seleto grupo que terá muito tempo sem ter nada o que fazer nesse fim de ano, sugiro que leia. Leia para aumentar seu léxico, para aumentar seu conhecimento acerca de um assunto qualquer ou simplesmente para ler.

   Alguns dias atrás recebi alguns pedidos de indicações de livros pelo twitter. Chegando esses dias findeiros de ano, por que não aproveitar essa minha humilde coluna para indicar um bom livro? Segue então um trecho de um dos melhores livros que já li:

 

Uma modernidade sem proibições
“Sobre a dificuldade em obedecer às leis, vale contar um anedota reveladora, ouvida nos Estados Unidos, onde todos pensam como fiéis e felizes seguidores voluntários das leis: num bote à deriva, náufragos em desespero calculavam suas chances de sobrevivência quando dois deles, os mais cínicos, resolveram fazer uma aposta bizarra. “Quer ver como eu faço com que todos se atirem ao mar?”, disse um deles, lançando um olhar de desafio ao companheiro. “Fechado”, respondeu logo o amigo, “quero ver quem, nesta situação, vai trocar a segurança do barco pelo mar aberto.” O proponente foi até o grupo e disse a um inglês: “As tradições da marinha inglesa demandam que você se atire ao mar. É uma questão de honra e valor; afinal, “Britannia rules the waves””, solfejou. O inglês ficou de pé, fez continência, e imediatamente atirou-se ao mar. Em seguida, o apostador falou para um russo: “Em nome da revolução, você deve se sacrificar pelo coletivo. Abandonando o barco, você faz um ato altruístico e revolucionário, deixando mais água e comida para os mais egoístas e fracos.” Ao cabo de alguns minutos, o comunista pulou do bote. Restavam três pessoas. Diante do americano, ele foi direto: “Se você sair do bote, sua família recebe um seguro de dois milhões de dólares!” O americano disse “Yeah!” E atirou-se na água. Triunfante, o apostador comentou: “Eu não disse que fazia com que pulassem?” O amigo respondeu: “Sim, mas ainda faltam dois e, olha, eles são brasileiros, não há como apelar.” “Esses são fáceis”, retrucou o apostador, dirigindo-se aos dois brasileiros que se consolavam mutuamente cantando “é doce morrer no mar”. “Amigos”, disse, “vocês sabiam que existe uma lei que proíbe pular na água?” Mal o apostador havia terminado a frase, os dois brasileiros já estavam , rindo, em plena água.”

(Trecho do livro Fé em Deus e pé na tábua ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil, do antropólogo Roberto DaMatta)

Para aqueles que optarem por lê-lo, trata-se de uma linguajem direta e entendimento nem tão complexo. Vale a pena não se intimidar pelo número de páginas.

Para todos, uma feliz e livre férias.

 

O Tempo é o senhor do mundo. Dizer que nada escapa do tempo e dialogar sobre as inúmeras formas de oxidação, o popular enferrujar, é clichê demais até para um mau escritor como eu; era por era ele esteve ali, observando, transcorrendo.

Sendo senhor do mundo, ele também é o senhor dos homens. Homens estes que começaram a entender sua existência na Mesopotâmia, estudaram-na com afinco na Grécia, realizaram pesquisas na Idade Média e desenvolveram formas sobre sua dilatação na Idade Moderna; mesmo com tanto tempo de tempo, mal o vemos passar.

Havia muito que não tirava algumas horas para relembrar meus dias de criança; há tempo que não parava para olhar os pequeninos. Mas, neste fim de semana dediquei-me a observá-los e conclui que acabamos por deixar no esquecimento fatos monótonos da infância que nos ajudariam, e como, na tenra idade.

Vi uma criança comprar um punhado de gomas de mascar (para ficar bonito e não falar chicré). Suas mãos eram pequenas demais para o montante que ela deveria levar. Suas pupilas dilataram, seus neurônios imaturos buscaram saídas rápidas. Qualquer adulto conhecedor das faculdades do saber diria ao vendedor para diminuir o produto até a quantidade que aquele pudesse levar, e este, daria menos gomas e mais troco. A menininha dos cabelos ensebados fez algo inusitado: procurou em si algo que fosse grande o suficiente para suportar tudo. Sua camiseta, presa na boca, com os dentes de feixe, era a forma mais adequada de levar para casa todos os seus desejos.

Outro rebento pediu balinhas do “pote de visitas”. O anfitrião abriu o pote e deu liberdade para que escolhesse quantas e quais balas ele gostaria de pegar. O tamanho da extremidade dos seus membros superiores o permitia adentrar o pote. Qualquer adulto bem educado, conhecedor dos saberes sociais e morais, tomaria para si uma bala e se contentaria. O menino de orelhas grandes, por sua vez, agarrou o máximo possível, sendo em seguida repreendido pelo pai que o acompanhava.

Quem dentre vós não fez nenhum desses relatos, que atire a primeira pedra. Tê-los feito não é vergonha, esquecer deles é que é o problema.

Hoje, quando inúmeros problemas surgem, você tenta evitá-los, deixá-los de lado para que se resolvam. Como um bom vivido que é, pensa em como vai repassá-los para alguém que tenha mais culpa, nem sequer cogita encontrar algo em si que seja grande o suficiente para resolver tantos problemas que, na verdade, são um só. Ou então, quando você teve vontade de algo que, aos olhos da sociedade, era demais para sua capacidade, com toda sua maturidade seguiu as regras impostas e fez “aquilo e pronto”; poderia tão bem ter tentado tudo mesmo que depois fosse repreendido, não acha?

O tempo, rei das eras, é implacável. Ele leva nossa cara lisinha, nossos cabelos macios e nossa audácia. Aprendemos com ele, erramos, perdemos, caímos; criamos paradigmas socialmente inquebráveis. Ele nos molda, faz de nós uma mera repetição daquilo que vemos ou presenciamos; criamos métodos para estudar como fomos mudando ao decorrer das mais valias. Como bons homens que somos, colocamos a culpa no tempo, pois ele falta, ele não passa, ele é o mesmo dia-a-dia, quem sabe, se fossemos crianças, o desafiaríamos para uma partida de béts, acabaríamos com sua invencibilidade terminando a partida com um catarro grande e amarelado em cada taco.

Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante.   Twitter: @AlencarJrP
 

 

Gostaria de vos pedir desculpas por não ter escrito a coluna da última semana. Alguns motivos levaram-me a não o fazer. E foi pensando em como lhes enunciar algum migué bem bolado dizendo o porquê de não ter enviado o texto da semana passada que cheguei ao desta semana. Alguém já pensou de onde surgiu a desculpa? Ou então como a ela mudou ou poderia ter mudado a história?
 

Segundo algumas fontes não confiáveis, a palavra desculpa surgiu no século XV, na língua portuguesa arcaica, “des” no sentido de negação, afastamento; somado a “culpa”, erro ou delito.  Assim nascia, propriamente dizendo, a palavra mais usada da atualidade; seja pedindo ou dando desculpa, a sociedade parece estar fundamentando seus pilares nesse jogo de passa ou repassa.

A desculpa já salvou várias vidas. No século XVII, Galileu Galilei (para os íntimos, GG), um dos maiores físicos matemáticos empiristas da história, após fazer uso de seu telescópio e perceber algo de errado com a física cósmica da sua época, confirmou o que Nicolau Copérnico já havia notado. Copérnico morreu no mesmo dia da publicação de sua mais importante obra, suas descobertas foram estudadas e defendidas por Galileu; porém, os tempos eram duros e caros. A Inquisição ameaçava qualquer argumento que fosse contrário ao que “Deus falou”, em resposta as revoltas protestantes o sistema endureceu e vários pagaram caro por isso. O Tribunal do Santo Ofício convocou Galileu: “Galileu, cê tá é loco! De onde é que tirou essa besteira que a Terra gira em torno do Sol? Cê deve tá mesmo é de sacanagem GG! Trate de negar suas ideias em praça pública que essas tuas publicações já foram pro INDEX mano! Ou você pede desculpas por sua loucura ou o trem vai ferver pro teu lado!” Galileu fez o que a Igreja mandou. Mais tarde os Jesuítas que admiravam seu trabalho confirmaram o que ele havia dito. Galileu salvou-se por uma desculpa. Covardia? Não. Sensatez.

Por outro lado, já pensaram o que poderia ser do Brasil se a desculpa houvesse metido seu dedo esperto em 1808? Em 1804 subia ao poder um imperador aclamado e destemido; Napoleão Bonaparte. Ele representava a fúria e a sensatez francesa. Suas conquistas militares devem-se, em sua grande maioria, a brilhante mente estratégica desse homem. Napoleão tinha inimigos à altura, e sem dúvida sua maior pedra no sapato era a Rainha dos Mares, vulgo, Inglaterra. Conhecedor do poderio Inglês, Napoleão declarou as nações aliadas ao seu já vasto império: “Seguinte negada, ou vocês param de briquear com a Inglaterra ou o pau vai comer pro lado docêis.”. Ocorria o Bloqueio Continental. Portugal, nossa metrópole na época, tinha vínculos comerciais com os ingleses e negou-se a respeitar a imposição napoleônica. O Imperador Francês decidiu invadir os lusitanos, fato que acarretou com a saída as pressas da corte portuguesa para uma de suas colônias: O BRASIL! Que logo foi elevada a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Se D. João VI ao invés de armar a capa tivesse pedido desculpinhas ao Napoleão, sabe-se lá quanto tempo ainda levaríamos para ter uma escola de medicina ou um banco oficial. 

Para todo sim que dizemos, há um não embutido.  A verdade é que a sociedade está vinculada ao “deixa pra lá”, “não dá bola, mandei mal”, “da próxima eu melhoro” e assim segue preenchendo lacunas históricas com seus “poderia ter sido.” Quando Eva deu uma desculpa e jogou a bomba da macieira na tal da serpente maligna, iniciou o ciclo sem fim; eu coloco a culpa em você, você coloca a culpa em mim. A história não costuma citar possibilidades, lembrar de segundos lugares ou de quem sempre perde. A história é seleta, coisa de pouca gente mesmo. Tá, sem mais desculpas.
 

 Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante.   Twitter: @AlencarJrP

 Estava revisando alguns tópicos de física quando me deparei com o conceito de energia: “A energia é uma constante do nosso dia-a-dia, não há uma definição concreta para ela, simplesmente pode ser detectada pelos efeitos que produz.

” Sabemos que a energia, se transmitida de um corpo material para outro, realiza trabalho e pode, através de uma dedução matemática rápida, ser igualada ao trabalho se considerando a energia cinética das moléculas; a energia cinética, para os leigos, trata-se da energia da agitação das moléculas, uma propriedade do corpo. Podemos sentir as diferentes manifestações de energia: seja através de um soco na cara, que passa de energia potencial dos músculos de quem inflige, para energia cinética nos músculos de quem recebe; para energia elástica do colágeno da pele; para energia térmica liberada pela histamina no local lesionado; sem falar no atrito que gera calor entre mão e face, e na parte de energia que é dissipada para o meio. Ou então, a energia elétrica que, caso você já tenha levado um choque, vai considerar desnecessária minha explicação.

 Depois da física, migrei para a biologia: evolução e os porquês da adaptação e superioridade de algumas espécies.  Segundo estudos recentes (José Mariano Amabis, Gilberto Martho - Biologia Geral), o grau de parentesco dos indivíduos dá-se pela semelhança de suas proteínas. O nível de adaptação e melhoria de um ser é diretamente proporcional a complexidade de suas proteínas; quanto mais complexo o ser, mais adaptado, logo, deixará uma descendência maior do que seus concorrentes, certo? Tendo tudo o que já foi aqui mencionado em vista, chega-se a uma conclusão: A BELEZA É ENERGIA.

  A beleza, quando manifestada em mulheres, é capaz de fazer homens virarem o pescoço. Como é de seu conhecimento, a mídia tem batido forte em sedimentar de vez os quesitos de beleza que ela considera necessários. A resposta da espécie, para não ser riscada da face da terra, é uma preocupação e supervalorização das formas anatômicas perfeitas. Com essa supervalorização, as mulheres que apresentam ausência da dita beleza, se não alcançam poder, são deixadas de lado pelos machos. Aquelas que usufruem da vantagem visual selecionam os melhores parceiros (o cara que pode oferecer uma vida confortável e estável para ela e sua futura prole), que em sua grande maioria, são poderosos montados na grana. Porém, é também sabido que os homens de poder são, em sua gritante superioridade, detentores de inteligência e não de beleza. As melhores condições de vida garantem que o casal Bela e Fera deixem um maior número de descendentes.  Mas, voltando pra física, eu e você conhecemos a lei da conservação da matéria de Lavoisier: “Na natureza nada se cria, tudo se transforma.”. Tendo em vista a equação de Albert Einstein em que uma pequena massa pode ser convertida em uma grande energia (e=mc²) e pela teoria que a beleza é uma manifestação dela, a “lindeza” do mundo deve também ter uma taxa fixa, certo? Talvez, mas se assim for e essa especulação estiver correta chegamos ao clímax dessa embolação: As mulheres bonitas e os homens feios deixarão mais herdeiros, esses herdeiros darão continuidade a esse ciclo por muito tempo e, então, ocorrerá uma mudança no fenótipo geral da espécie: As mulheres serão, em sua totalidade, BELAS e os homens, quem sabe em números expressivos, FEIOS.

  A energia que se direcionará para as mulheres terá de sair de algum lugar, certo? Sairá dos homens. Será talvez a maior virada da história, a confirmação do quem riu por último riu melhor para os machos e o extermínio das fêmeas feias. Se bem que, hoje em dia, maquiagem aqui, silicone acolá e pronto: todas as estão lindas segundo esse padrão de beleza atual.

  A confraria dos feios bem sucedidos alegra-se! As siliconadas soltam foguetes! E os que desaparecerão conformem-se, afinal, quantas vezes já suprimiram, esmagaram ou desmantelaram os que se tornarão dominantes?  Cá pra mim, essa minha teoria é furada e tudo vai continuar do mesmo jeito: os bonitos levando vantagem, nós levando no olho, as gostosas aproveitando o dinheiro dos tolos e a mídia ditando as regras da beleza na sociedade.

  “Tá bom Alencar, mas e a Energia?” Ah, ela vai bem! Se tratar-se da elétrica e o condutor for bom, vai que é uma maravilha!

 

Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante.   Twitter: @AlencarJrP

Hoje resolvi dar uma ajeitada nos livros que deixei na casa dos meus pais. Relembrar o passado não é um dos meus passatempos prediletos, contudo, rever livros antigos é como olhar álbuns de sua infância; sem sua mãe apontando para a polêmica foto na banheira e suas tias dizendo: “Mas que bonitinho você era!” Não, definitivamente não se pode ser bonito com aquela cara de joelho. Entre um livro e outro cruzei com um dos meus mais raros exemplares: “Os 100 maiores Brasileiros.”. Ganhei esse livro já faz algum tempo e, na verdade, não o tinha lido até então na íntegra. Trata-se de uma coletânea com as biografias de 100 brasileiros que fizeram diferença, entre uma e outra, cheguei à conclusão que somos profissionais em inventar. E quando me refiro ao inventar, refiro-me ao alcance geral do verbo.

Quando pensamos em invenção lembramo-nos do avião e do Dumão. Cá pra nós, não somos a melhor nação no quesito reconhecer as qualidades internas do nosso país. São inúmeros os designers, os publicitários e engenheiros brasileiros que encontram emprego no exterior por não terem seu devido valor aqui. Seja o inventor do Painel Eletrônico, o do Cartão Telefônico ou, até mesmo, o do Copo americano, que garante o emprego do inventor do Coração Mecânico. Nenhum deles tem tanto valor quanto ELE: o Inventor de Feriados. Esse sim é o cara para a nação!

Somos profissionais em criar datas comemorativas desnecessárias e sem lógica real.  Seja no Challenge Day, socialmente conhecido como dia da confraternização, o nosso querido Um de janeiro deveria mesmo chamar-se dia Nacional da ressaca. Vinte e um de abril deveria tornar-se o dia dos que pagam sem dever, Dia de Tiradentes soa muito culto e inapropriado, parece que o tal Joaquim da Silva Xavier era um obturador de renome e não um inconfidente.  O tal Um de maio devia passar de Dia dos Trabalhadores para um Dia Nacional da Memória Getulista. E o nosso 15 de novembro, chamá-lo-ia de qualquer coisa, a final, como disse Aristides Lobo: “Por ora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.”. Ou vocês preferem as palavras de Raúl Pompéia:  “Desenganem-se os idealistas: o povo fluminense não existe (...) Dirão que o povo fluminense fez a agitação abolicionista e a agitação republicana (...) O povo não fez nada disso. Um grupo de homens denodados, bastante ativo é certo, para parecer a multidão, fez o movimento abolicionista e o movimento republicano do Rio de Janeiro. Em volta desses campeões devotados acercavam-se curiosos; e foi só.” 

A população não inventou os feriados, ela só usufrui do velho pão e circo que, com sua longa existência, foi adaptando-se e melhorando cada vez mais. Essa política parece ter tomado vida própria.

Ainda com o livro no colo, penso por que nunca me falaram desses merecedores de feriados. Por que motivo, razão ou circunstância eu não conheci a história real, assim como ela foi? Por que até agora me esconderam os reais independentes da pátria, homens que debocham daqueles que dizem por aí que nós, os brasileiros, somos um caldeirão cultural do qual sopa alguma pode ter bom sabor?  Nenhum desses inventores merece feriado, porém, mentiras bem maquiadas também não o merecem.  Os maiores patriotas e personalidades que conheço não são nada além de anônimos da história. Vai saber essa tal de história, elevando uns, suprimindo outros. Tesla é o responsável pela corrente alternada, mas quem levou a lâmpada foi Edson, mas eles não são daqui, então, a história deles que se vire. Vou lá guardar meu livro.

Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante.   Twitter: @AlencarJrP

 

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