Qui, 06 de Outubro de 2011 17:06
Umas simples, outras complexas, e algumas que até nos parecem desnecessárias. Pode-se classificar as sociedades por seu discernimento religioso, pelo seu desenvolvimento tecnológico, por sua complexidade cultural ou ainda pela adotada por Karl Marx: forma de trabalho. Apesar de todos esses métodos, há um inusitado: Estudar as sociedades pela cola. Não pelo látex, mesmo que haja formas diferentes de produzi-lo que renderiam algumas linhas, não falo dele. Falo da tão usada “cola estudantil” que de tão disseminada rendeu um dito popular: Quem não cola, não sai da escola. Através dessa artimanha utilizada pelos estudantes, pode-se ter um resumo claro de duas sociedades: a coletivista e a individualista.
Numa sociedade que já pregou o fascio (feixe de varas), ter um contingente de espécimes falhas fragiliza o todo. As bases dessa sociedade estão intimamente ligadas ao símbolo fascista. Explico: Uma vara é facilmente quebrada, porém, quebrar um grande feixe de varas torna-se muito mais difícil. O feixe de varas representava o povo, que era amarrado por um nó: O Estado. Nas sociedades coletivistas, ao contrário do que se pensa, a cola não é bem vista. Se um indivíduo está colando, significa que houve alguma falha. Tal qual uma corrente de vários elos, quando há o rompimento de um dos elos, há caos. A “manha” representa o erro, a decadência do coletivo. Se um elo da corrente arrebentar...
Se você pudesse pular uma parte de todo o trabalho para atingir o objetivo real, você o faria? Caso a resposta for não, mude-se! Você não pertence ao contingente individualista que rege sua cultura, certamente será excluso do meio, e o fato social o fará negar a sociedade, levando-o ao suicídio. Nas sociedades individualistas, colar é “natural”. O que realmente importa é o resultado final; para alcançá-lo, usa-se da mais célebre frase maquiavélica: “Os fins justificam os meios” Contudo, não usem essa análise ao seu favor, alunos que me lêem. Em meu ver, a cola não passa de um ato quadrúpede. Ela não deve ser vista como um ato de “despertar a criatividade do aluno”. JAMAIS! Os pedagogos que defendem isso desconhecem o prejuízo a democracia que simples atos imorais como esse causam. É a desonestidade intelectual, aprendida ainda nos bancos escolares, a matriz de toda corrupção que assola nossa sociedade. Afinal, quem abre mão das regras por simples pontos escolares,...
Apesar das diferentes situações que cada colégio enfrenta, a culpa recai aos ombros da escola. O aluno encontra na cola uma forma de desafiar o sistema, um grito na imensa poeira de mandam aqui e acolá. Aí entra a família, culpada por não ensinar limites e deveres ao cidadão. Nessa bola de neve de passa e repassa de “é dever seu”, como ficam os espertalhões que vivem da cola? Eles possuem futuro garantido: sobreviverão de calotes, de golpes morais ou qualquer outro ramo que a cola lhes ensinou. Sejam nas sociedades individualistas ou nas coletivistas, os agravantes de idiotices que não parecem ferir a integridade moral de cada indivíduo, rendem uma forma fácil de entender o funcionamento de um dado grupo. Explicar as coisas através de métodos antigos serve, por hora, para as ciências exatas, que, dadas às últimas descobertas e deduções, estão revendo planos e mundos. É necessário que tudo seja contextualizado, que as formas de ver o mundo sejam planificadas para que haja entendimento geral do que é correto e do que não é. Enquanto se pensar em proibir ou pegar alguém colando, haverá gomas de mascar em baixo das carteiras.
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