Sex, 14 de Outubro de 2011 14:19
Como o dia de meu aniversário era próximo, os tempos tornavam-se melhores que o natal: Dois presentes em menos de um mês! Alegria maior que essa, somente quando vinham dois brinquedos ao invés de um brinquedo e uma roupa. Resolvi voltar ao espírito infantil e assisti uma temporada de um desenho que muito me agradava na infância, se não bastasse, fui também dar uma olhadinha nos brinquedos da atualidade; surpreendi-me. Não foi surpresa a tecnologia impregnada nesses utensílios necessários para o bom desenvolvimento do indivíduo, mas sim em suas mudanças radicais se comparados aos mesmos utilitários do meu tempo.
Ouvia meu pai e mãe contar como eram seus brinquedos, “Como é que havia diversão naquela simplicidade”, me perguntava. Eu tinha Power Rangers, meus bichinhos pra fazer fazendinha, sem contar a carreta de madeira com dois eixos – lembro do dia em que meu pai me explicou o que eram eixos-. Hoje, quando abro um dos maiores sites de vendas online vejo: Mini Moto Automática R3 Gasolina e Óleo, Boneco Ben 10 Articulado com Reconhecimento de Voz, Super Jogo da Vida de uma Estrela do cinema , Super Banco Imobiliário: Seja um grande empresário, Computador Acer com processador i7- vem com jogos instalados e kit multimídia... Onde estão os carrinhos em que se amarram cordas para puxar pela área ou pelo meio da casa? O que aconteceu com as bolas de futebol, com os tacos de bets e com as bolinhas de tênis que rolavam pela rua enquanto brincava a gurizada? O que houve com as bonecas as quais as meninas penteavam os cabelos, jogavam no balde para dar-lhes e esqueciam-se delas?
Disseram-me que os brinquedos mudaram pelo fato das crianças estarem mais maduras. As crianças da atualidade não estão mais maduras. Ao contrário do que muitos pensam, elas não estão preparadas para assimilar tanta informação, ocorre então uma maturação forçada e falha. Curso de língua estrangeira, de violão, de informática, de artes, de literatura e de música clássica. Em que lugar está às horas de futebol, de brigas da rua de baixo contra a rua de cima, de discussões para saber onde foi parar a bolinha perdida? E ainda mais, onde está o tempo que os pais ficam brincando e “sapeando” com os filhos? A criança forçada a tantos aprendizados leva vantagens escolares a curto prazo. Como todos sabem para aprender-se bem algo se deve ter uma boa base. Para conquistar uma boa base deve-se passar parte por parte do aprendizado. Uma criança que não tem sua infância “pulou” fase essencial dele: a parte em que aprenderá a gostar das faculdades do saber brincando.
Hoje ainda, lembrei-me das noites em que meu pai jogava bola comigo. Eu estudava pra tirar boas notas para usar de desculpa: “Olha aí pai, tirei uma nota razoável, joga bola comigo?” Tive uma infância que deixou saudades. Minha mãe me ajudando a concertar carrinhos que eu quebrava, a escrever os textos da escola para brincar de ser escriba. Como era bom acordar sem preocupar-me com o que o dia me guardava. Temo que essa geração de crianças não tenha oportunidade de lembrar-se também. Steve Jobs, falecido na semana passada, contava que descobriu o que realmente amava ainda na tenra idade. “Desmontava calculadoras, controles e gostava disso.” Brincar e crescer. Crescer ou brincar. Crescer sem brincar. É triste saber que muitas crianças não tiveram e não terão o tempo de serem crianças. É triste saber que o futuro arcará com isso. Os pequenos arcarão com as más escolhas dos grandes. Quem é que quer ser gente grande, põe o dedo aqui. Não brinquem disso pequeninos. Brinquem.
Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante. Twitter: @AlencarJrP
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