Sex, 21 de Outubro de 2011 14:07
Quando a professora pergunta no primeiro dia de aula da 5ª série do Ensino Fundamental, “O que vocês querem ser quando crescer?” recebe inúmeras respostas. Joãozinho diz: “Quero ser Engenheiro, igual meu pai.” Mariazinha diz: “Quero ser médica.” E assim os sessenta alunos da senhora Eliéte respondem, um a um. Farmacêuticos, economistas, administradores, pilotos de F1, porém, uma profissão não é mencionada: Ser Professor. A situação hipotética não se trata de uma ocorrência isolada da realidade brasileira, menos de 2% dos alunos do país desejam ser professores quando atingirem a idade equivalente. Por quê? Explico: Salários baixos, ascenção profissional não garantida, dificuldade em estabelecer carreira e, o mais grave, DESVALORIZAÇÃO SOCIAL. Em contra partida, temos a Coréia do Sul, em que todos os docentes possuem mestrado, ganham o equivalente a quatro mil reais em escolas de ensino fundamental e são os únicos a serem reverenciados pelo imperador. Tendo em vista o crescimento sul-coreano, deve o Brasil também adotar medidas que garantam seu desenvolvimento tecnológico.
De todo o conjunto de professores brasileiros, 30% foram aprovados no colegial com as piores notas. Se não bastasse, 80% dos “futuros professores” também têm as piores notas de suas classes, e, assim, inicia-se um circulo vicioso de maus professores que ensinam mal seus alunos, sendo que, futuramente, tornar-se-ão péssimos docentes. Pesquisas comprovam que a maior influência no aprendizado não depende da qualidade do material, nem das condições das instalações de uma sala de aula, depende sim da qualidade do professor. É necessário que haja investimentos maciços na educação, iniciando pelo aumento do salário dos educadores, a fim de incentivar os que já estão na área e chamar a atenção dos que ainda ingressarão nela.
Um professor não é lembrado após o término da aula. Quando um médico se forma, ele leva sem ter doutorado o codinome de “doutor”, contudo, um professor só é chamado de mestre se concluir seu mestrado. O professor fora da sala de aula perde o seu cargo, mas o médico é o “seu doutor” em todos os ambientes. O médico deve seus saberes ao professor. Deve ser por essa dependência passada que são tratados de mesma forma. A maior mudança que deve ocorrer é a valorização social do cargo de educador. O mestre deve ser autoridade na sala de aula, ter total domínio e respeito de seus pupilos, não ser ameaçado por pais descontentes com notas baixas ou por quadrúpedes alunos.
A velha história de vocação deve acabar. Sem dúvida ser educador é uma das tarefas que mais requer amor à profissão, contudo, o celibato que designa trabalhar mesmo sem receber salários condizentes não faz sentido. Para tornar-se educador na Coréia do Sul além de passar por inúmeras seleções antes mesmo da realização das provas de aceitação, deve-se ter as características fundamentais da profissão. São então seis anos de aulas integrais com estágios em escolas dentro da universidade. No Brasil os cursos de licenciatura têm notas baixas e são pouco seletivos, sem falar que o mestre em formação nem sempre tem o subsídio adequado.
O Brasil assumiu por fim um lugar entre as grandes economias globais. Entretanto, pensar tão somente que um país sem miséria é um país rico trata-se de uma monstruosa falha. Uma nação rica é uma nação com educação de qualidade. É claro que não há como ensinar alguém que está morrendo de fome, contudo, investir-se apenas em soluções de curto prazo não acarretará uma resposta completa. É preciso alimentar os famintos, mas lhes mostrar como devem fazer para conseguir seu próprio sustento, e quando eles aprenderem de fato, alguém deve falar antes do fim da aula: “Obrigado professor, quero crescer saudável para que um dia eu possa também ensinar às pessoas que somos responsáveis por nosso destino.”.
A todos os meus mestres, os que me educaram de fato, o meu, atrasado, muito obrigado.
Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante. Twitter: @AlencarJrP
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