Sex, 18 de Novembro de 2011 15:28
Hoje resolvi dar uma ajeitada nos livros que deixei na casa dos meus pais. Relembrar o passado não é um dos meus passatempos prediletos, contudo, rever livros antigos é como olhar álbuns de sua infância; sem sua mãe apontando para a polêmica foto na banheira e suas tias dizendo: “Mas que bonitinho você era!” Não, definitivamente não se pode ser bonito com aquela cara de joelho. Entre um livro e outro cruzei com um dos meus mais raros exemplares: “Os 100 maiores Brasileiros.”. Ganhei esse livro já faz algum tempo e, na verdade, não o tinha lido até então na íntegra. Trata-se de uma coletânea com as biografias de 100 brasileiros que fizeram diferença, entre uma e outra, cheguei à conclusão que somos profissionais em inventar. E quando me refiro ao inventar, refiro-me ao alcance geral do verbo.
Quando pensamos em invenção lembramo-nos do avião e do Dumão. Cá pra nós, não somos a melhor nação no quesito reconhecer as qualidades internas do nosso país. São inúmeros os designers, os publicitários e engenheiros brasileiros que encontram emprego no exterior por não terem seu devido valor aqui. Seja o inventor do Painel Eletrônico, o do Cartão Telefônico ou, até mesmo, o do Copo americano, que garante o emprego do inventor do Coração Mecânico. Nenhum deles tem tanto valor quanto ELE: o Inventor de Feriados. Esse sim é o cara para a nação!
Somos profissionais em criar datas comemorativas desnecessárias e sem lógica real. Seja no Challenge Day, socialmente conhecido como dia da confraternização, o nosso querido Um de janeiro deveria mesmo chamar-se dia Nacional da ressaca. Vinte e um de abril deveria tornar-se o dia dos que pagam sem dever, Dia de Tiradentes soa muito culto e inapropriado, parece que o tal Joaquim da Silva Xavier era um obturador de renome e não um inconfidente. O tal Um de maio devia passar de Dia dos Trabalhadores para um Dia Nacional da Memória Getulista. E o nosso 15 de novembro, chamá-lo-ia de qualquer coisa, a final, como disse Aristides Lobo: “Por ora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.”. Ou vocês preferem as palavras de Raúl Pompéia: “Desenganem-se os idealistas: o povo fluminense não existe (...) Dirão que o povo fluminense fez a agitação abolicionista e a agitação republicana (...) O povo não fez nada disso. Um grupo de homens denodados, bastante ativo é certo, para parecer a multidão, fez o movimento abolicionista e o movimento republicano do Rio de Janeiro. Em volta desses campeões devotados acercavam-se curiosos; e foi só.”
A população não inventou os feriados, ela só usufrui do velho pão e circo que, com sua longa existência, foi adaptando-se e melhorando cada vez mais. Essa política parece ter tomado vida própria.
Ainda com o livro no colo, penso por que nunca me falaram desses merecedores de feriados. Por que motivo, razão ou circunstância eu não conheci a história real, assim como ela foi? Por que até agora me esconderam os reais independentes da pátria, homens que debocham daqueles que dizem por aí que nós, os brasileiros, somos um caldeirão cultural do qual sopa alguma pode ter bom sabor? Nenhum desses inventores merece feriado, porém, mentiras bem maquiadas também não o merecem. Os maiores patriotas e personalidades que conheço não são nada além de anônimos da história. Vai saber essa tal de história, elevando uns, suprimindo outros. Tesla é o responsável pela corrente alternada, mas quem levou a lâmpada foi Edson, mas eles não são daqui, então, a história deles que se vire. Vou lá guardar meu livro.
Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante. Twitter: @AlencarJrP
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