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O Tempo é o senhor do mundo. Dizer que nada escapa do tempo e dialogar sobre as inúmeras formas de oxidação, o popular enferrujar, é clichê demais até para um mau escritor como eu; era por era ele esteve ali, observando, transcorrendo.

Sendo senhor do mundo, ele também é o senhor dos homens. Homens estes que começaram a entender sua existência na Mesopotâmia, estudaram-na com afinco na Grécia, realizaram pesquisas na Idade Média e desenvolveram formas sobre sua dilatação na Idade Moderna; mesmo com tanto tempo de tempo, mal o vemos passar.

Havia muito que não tirava algumas horas para relembrar meus dias de criança; há tempo que não parava para olhar os pequeninos. Mas, neste fim de semana dediquei-me a observá-los e conclui que acabamos por deixar no esquecimento fatos monótonos da infância que nos ajudariam, e como, na tenra idade.

Vi uma criança comprar um punhado de gomas de mascar (para ficar bonito e não falar chicré). Suas mãos eram pequenas demais para o montante que ela deveria levar. Suas pupilas dilataram, seus neurônios imaturos buscaram saídas rápidas. Qualquer adulto conhecedor das faculdades do saber diria ao vendedor para diminuir o produto até a quantidade que aquele pudesse levar, e este, daria menos gomas e mais troco. A menininha dos cabelos ensebados fez algo inusitado: procurou em si algo que fosse grande o suficiente para suportar tudo. Sua camiseta, presa na boca, com os dentes de feixe, era a forma mais adequada de levar para casa todos os seus desejos.

Outro rebento pediu balinhas do “pote de visitas”. O anfitrião abriu o pote e deu liberdade para que escolhesse quantas e quais balas ele gostaria de pegar. O tamanho da extremidade dos seus membros superiores o permitia adentrar o pote. Qualquer adulto bem educado, conhecedor dos saberes sociais e morais, tomaria para si uma bala e se contentaria. O menino de orelhas grandes, por sua vez, agarrou o máximo possível, sendo em seguida repreendido pelo pai que o acompanhava.

Quem dentre vós não fez nenhum desses relatos, que atire a primeira pedra. Tê-los feito não é vergonha, esquecer deles é que é o problema.

Hoje, quando inúmeros problemas surgem, você tenta evitá-los, deixá-los de lado para que se resolvam. Como um bom vivido que é, pensa em como vai repassá-los para alguém que tenha mais culpa, nem sequer cogita encontrar algo em si que seja grande o suficiente para resolver tantos problemas que, na verdade, são um só. Ou então, quando você teve vontade de algo que, aos olhos da sociedade, era demais para sua capacidade, com toda sua maturidade seguiu as regras impostas e fez “aquilo e pronto”; poderia tão bem ter tentado tudo mesmo que depois fosse repreendido, não acha?

O tempo, rei das eras, é implacável. Ele leva nossa cara lisinha, nossos cabelos macios e nossa audácia. Aprendemos com ele, erramos, perdemos, caímos; criamos paradigmas socialmente inquebráveis. Ele nos molda, faz de nós uma mera repetição daquilo que vemos ou presenciamos; criamos métodos para estudar como fomos mudando ao decorrer das mais valias. Como bons homens que somos, colocamos a culpa no tempo, pois ele falta, ele não passa, ele é o mesmo dia-a-dia, quem sabe, se fossemos crianças, o desafiaríamos para uma partida de béts, acabaríamos com sua invencibilidade terminando a partida com um catarro grande e amarelado em cada taco.

Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante.   Twitter: @AlencarJrP
 

 

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