Qua, 07 de Dezembro de 2011 16:33
Gostaria de vos pedir desculpas por não ter escrito a coluna da última semana. Alguns motivos levaram-me a não o fazer. E foi pensando em como lhes enunciar algum migué bem bolado dizendo o porquê de não ter enviado o texto da semana passada que cheguei ao desta semana. Alguém já pensou de onde surgiu a desculpa? Ou então como a ela mudou ou poderia ter mudado a história?
Segundo algumas fontes não confiáveis, a palavra desculpa surgiu no século XV, na língua portuguesa arcaica, “des” no sentido de negação, afastamento; somado a “culpa”, erro ou delito. Assim nascia, propriamente dizendo, a palavra mais usada da atualidade; seja pedindo ou dando desculpa, a sociedade parece estar fundamentando seus pilares nesse jogo de passa ou repassa.
A desculpa já salvou várias vidas. No século XVII, Galileu Galilei (para os íntimos, GG), um dos maiores físicos matemáticos empiristas da história, após fazer uso de seu telescópio e perceber algo de errado com a física cósmica da sua época, confirmou o que Nicolau Copérnico já havia notado. Copérnico morreu no mesmo dia da publicação de sua mais importante obra, suas descobertas foram estudadas e defendidas por Galileu; porém, os tempos eram duros e caros. A Inquisição ameaçava qualquer argumento que fosse contrário ao que “Deus falou”, em resposta as revoltas protestantes o sistema endureceu e vários pagaram caro por isso. O Tribunal do Santo Ofício convocou Galileu: “Galileu, cê tá é loco! De onde é que tirou essa besteira que a Terra gira em torno do Sol? Cê deve tá mesmo é de sacanagem GG! Trate de negar suas ideias em praça pública que essas tuas publicações já foram pro INDEX mano! Ou você pede desculpas por sua loucura ou o trem vai ferver pro teu lado!” Galileu fez o que a Igreja mandou. Mais tarde os Jesuítas que admiravam seu trabalho confirmaram o que ele havia dito. Galileu salvou-se por uma desculpa. Covardia? Não. Sensatez.
Por outro lado, já pensaram o que poderia ser do Brasil se a desculpa houvesse metido seu dedo esperto em 1808? Em 1804 subia ao poder um imperador aclamado e destemido; Napoleão Bonaparte. Ele representava a fúria e a sensatez francesa. Suas conquistas militares devem-se, em sua grande maioria, a brilhante mente estratégica desse homem. Napoleão tinha inimigos à altura, e sem dúvida sua maior pedra no sapato era a Rainha dos Mares, vulgo, Inglaterra. Conhecedor do poderio Inglês, Napoleão declarou as nações aliadas ao seu já vasto império: “Seguinte negada, ou vocês param de briquear com a Inglaterra ou o pau vai comer pro lado docêis.”. Ocorria o Bloqueio Continental. Portugal, nossa metrópole na época, tinha vínculos comerciais com os ingleses e negou-se a respeitar a imposição napoleônica. O Imperador Francês decidiu invadir os lusitanos, fato que acarretou com a saída as pressas da corte portuguesa para uma de suas colônias: O BRASIL! Que logo foi elevada a categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves. Se D. João VI ao invés de armar a capa tivesse pedido desculpinhas ao Napoleão, sabe-se lá quanto tempo ainda levaríamos para ter uma escola de medicina ou um banco oficial.
Para todo sim que dizemos, há um não embutido. A verdade é que a sociedade está vinculada ao “deixa pra lá”, “não dá bola, mandei mal”, “da próxima eu melhoro” e assim segue preenchendo lacunas históricas com seus “poderia ter sido.” Quando Eva deu uma desculpa e jogou a bomba da macieira na tal da serpente maligna, iniciou o ciclo sem fim; eu coloco a culpa em você, você coloca a culpa em mim. A história não costuma citar possibilidades, lembrar de segundos lugares ou de quem sempre perde. A história é seleta, coisa de pouca gente mesmo. Tá, sem mais desculpas.
Alencar Junior Proença, 18 Anos, estudante. Twitter: @AlencarJrP
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