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  Enfim chegaram as férias; com ela o Natal e o dito “New Year”. Tempos de descanso para alguns e de muito trabalho para outros, no fim do ano não tem essa, é oito ou oitenta. Se você fazer parte do seleto grupo que terá muito tempo sem ter nada o que fazer nesse fim de ano, sugiro que leia. Leia para aumentar seu léxico, para aumentar seu conhecimento acerca de um assunto qualquer ou simplesmente para ler.

   Alguns dias atrás recebi alguns pedidos de indicações de livros pelo twitter. Chegando esses dias findeiros de ano, por que não aproveitar essa minha humilde coluna para indicar um bom livro? Segue então um trecho de um dos melhores livros que já li:

 

Uma modernidade sem proibições
“Sobre a dificuldade em obedecer às leis, vale contar um anedota reveladora, ouvida nos Estados Unidos, onde todos pensam como fiéis e felizes seguidores voluntários das leis: num bote à deriva, náufragos em desespero calculavam suas chances de sobrevivência quando dois deles, os mais cínicos, resolveram fazer uma aposta bizarra. “Quer ver como eu faço com que todos se atirem ao mar?”, disse um deles, lançando um olhar de desafio ao companheiro. “Fechado”, respondeu logo o amigo, “quero ver quem, nesta situação, vai trocar a segurança do barco pelo mar aberto.” O proponente foi até o grupo e disse a um inglês: “As tradições da marinha inglesa demandam que você se atire ao mar. É uma questão de honra e valor; afinal, “Britannia rules the waves””, solfejou. O inglês ficou de pé, fez continência, e imediatamente atirou-se ao mar. Em seguida, o apostador falou para um russo: “Em nome da revolução, você deve se sacrificar pelo coletivo. Abandonando o barco, você faz um ato altruístico e revolucionário, deixando mais água e comida para os mais egoístas e fracos.” Ao cabo de alguns minutos, o comunista pulou do bote. Restavam três pessoas. Diante do americano, ele foi direto: “Se você sair do bote, sua família recebe um seguro de dois milhões de dólares!” O americano disse “Yeah!” E atirou-se na água. Triunfante, o apostador comentou: “Eu não disse que fazia com que pulassem?” O amigo respondeu: “Sim, mas ainda faltam dois e, olha, eles são brasileiros, não há como apelar.” “Esses são fáceis”, retrucou o apostador, dirigindo-se aos dois brasileiros que se consolavam mutuamente cantando “é doce morrer no mar”. “Amigos”, disse, “vocês sabiam que existe uma lei que proíbe pular na água?” Mal o apostador havia terminado a frase, os dois brasileiros já estavam , rindo, em plena água.”

(Trecho do livro Fé em Deus e pé na tábua ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil, do antropólogo Roberto DaMatta)

Para aqueles que optarem por lê-lo, trata-se de uma linguajem direta e entendimento nem tão complexo. Vale a pena não se intimidar pelo número de páginas.

Para todos, uma feliz e livre férias.

 

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