Seg, 13 de Fevereiro de 2012 15:27
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A divisão de bens na separação leva toda a família para padrões de vida inferiores. Saiba como reduzir este efeito aprendendo a negociar com o ex. Se a vida a dois realmente for insuportável, a melhor alternativa é negociar o divórcio assim como se negocia um contrato de trabalho
Nos últimos cinco anos, segundo dados do IBGE, o número de divórcios no Brasil cresceu 75%, saltando de 80 mil para 140 mil por ano. O principal motivo para esse aumento são as mudanças no Código Civil, que derrubaram exigências como prazo de dois anos de separação antes do fim do casamento. No entanto, embora a legislação tenha facilitado o divórcio, os prejuízos financeiros que ele acarreta ao casal e à família precisam ser avaliados com cuidado, afirma Marcelo Maron, Diretor Executivo do Grupo PAR, palestrante sobre Finanças Pessoais e professor de Matemática Financeira:
"Sei que não parece nobre pensar em dinheiro quando estamos diante da certeza do fim do casamento, mas é fato que poucas pessoas estão preparadas para a queda no padrão de vida provocada por um divórcio. Diferentemente do vivenciado em algumas décadas passadas, grande parte das mulheres é economicamente ativa e os casais, estando juntos, somam sua renda na configuração da unidade familiar. Mesmo quando o casal decide não misturar suas vidas financeiras, sempre há algum acerto entre os dois, ficando um e outro responsáveis por certas contas e obrigações, o que eleva o padrão de consumo da família, algo que o divórcio rapidamente destrói", assinala Maron.
Considerando um exemplo de um casal cuja renda somada é de R$ 6 mil, o estilo de vida que esta família tem antes do divórcio será consideravelmente melhor do que no caso da separação, quando cada um terá que viver com R$ 3 mil, cabendo a uma das partes, ainda, custear a pensão da outra parte.
"Muitas pessoas acham que cabe sempre ao homem pagar essa pensão, mas a justiça já tem dado sentenças onde cabe à mulher esse pagamento, especialmente se ela tem um emprego melhor remunerado que o do marido", alerta Maron.
Divisão de bens
Com a separação, surge a necessidade de divisão de bens. Segundo Maron, esse processo pode representar uma grave perda de patrimônio, levando toda a família para padrões de vida muito inferiores ao que ela tinha, com as consequências diretas na relação com os filhos, por exemplo:
"Em relação ao patrimônio, temos milhares de situações diferentes. Tendo como base um casal que adquiriu seu imóvel e paga prestações de um financiamento imobiliário, caso de milhares de casais brasileiros, uma separação pode fazer um belíssimo estrago no que foi construído durante anos, principalmente se ela não for amigável, ou consensual como diriam os advogados. A venda de um único imóvel pertencente à família não gerará dinheiro suficiente para a compra de dois no mesmo padrão, ainda mais se ele não estiver inteiramente pago. Se o casal já assume uma prestação, terá que assumir duas com a separação, cada um pagando o seu imóvel. Se vivem de aluguel, serão dois aluguéis daí por diante", alerta.
E nos casos onde apenas um dos cônjuges trabalha, o impacto financeiro pode ser ainda mais intenso. "Quem ganha dinheiro pagará uma pensão dada aos filhos, normalmente fixada em cerca de 30% da renda bruta auferida, o que, para salários maiores, pode chegar a quase metade da renda líquida. Quem recebe a pensão terá de sustentar uma casa inteira com apenas esta parte da renda, sempre sujeita a turbulências, como uma perda de emprego do ex-cônjuge ou qualquer outro problema", enfatiza.
Para Maron, se a vida a dois realmente for insuportável, a melhor alternativa é negociar o divórcio assim como se negocia um contrato de trabalho ou a compra de um bem:
"Uma boa ideia pode ser a contratação de um especialista em finanças pessoais que possa ajudar o casal a tomar decisões complexas relativas a uma série de aspectos, como partilha de propriedades e investimentos, definições sobre planos de saúde, entre outras questões que podem ser relacionadas em uma espécie de check-list. Casais inteligentes, que negociam o divórcio, podem perder muito menos do que normalmente se perde nesses casos. Encarando esse problema com a frieza necessária, é possível até manter certos bens em sistema de compartilhamento, evitando-se, assim, a necessidade de vendê-los a preços aviltados", explica Maron. Redação Bonde
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