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O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reiterou a necessidade de que as instituições financeiras estejam atentas à ampliação na concessão de crédito no país "de maneira que possamos agora continuar a construir um sistema sólido dentro dessa trajetória de expansão do momento".

"O problema sempre aparece, é criado, na expansão, mas se revela na retração", afirmou Meirelles durante palestra em seminário promovido pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos). O presidente do BC disse ainda que "é muito fácil sermos complacentes em momentos em que a expansão começa a ficar acelerada."

Apesar de ressaltar que o Brasil foi um dos países menos afetados pela crise mundial, Meirelles destacou que é importante aprender "não só com o fracasso, mas com o sucesso também, reforçando aquilo que deu certo".

Fabio Barbosa, presidente da Febraban, disse que "o pior já passou, mas temos um longo caminho de volta rumo à retomada do ritmo de crescimento das operações de crédito e do nosso sistema financeiro".

O Relatório de Estabilidade Financeira, ressalta Meirelles, mostra que "em caso de estresse severo, com elevação conjunta do risco de crédito e das taxas de juros ao mesmo tempo, o sistema bancário brasileiro, na pior das hipóteses, mantém o índice de Basileia [limite mínimo de capital para garantir empréstimos] acima do mínimo regulamentado [11%]".

"Atinge no mínimo 12%. O resultado mostra que o sistema brasileiro está preparado para choques adversos e, evidentemente, é importante que se mantenha nesse processo", completou.

Crédito

A dificuldade no acesso ao crédito foi um dos impactos mais sentidos pelo Brasil no agravamento da crise, registrado, principalmente, a partir de setembro do ano passado. O governo tomou uma série de medidas para irrigar o financiamento nos piores momentos da turbulência e chegou a injetar recursos dos bancos públicos em instituições menores, que precisavam do socorro para manter suas carteiras.

Ainda com as dificuldades do crédito e a desconfiança do consumidor atrapalhando as vendas, o governo decidiu desonerar alguns itens, com redução da alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos, material de construção e eletrodomésticos da linha branca no intuito de incentivar o consumo.

Os últimos números divulgados pelo Banco Central, referentes a setembro, apontam que o volume de operações de crédito cresceu pelo sétimo mês seguido. O montante total de dinheiro emprestado chegou ao valor recorde de R$ 1,347 trilhão, com alta de 16,9% nos últimos 12 meses. A análise em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) também foi recorde, atingindo 45,7%.

Já a inadimplência no pagamento dos empréstimos, com atraso superior a 90 dias, caiu para 5,8% em setembro, ante 5,9% em agosto - a primeira queda desde setembro de 2008.

 

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