Sáb, 27 de Março de 2010 09:48
Um dos mais prestigiados economistas do Brasil, José Roberto Mendonça de Barros, foi o palestrante que marcou o encerramento do Agrogestão – Congresso Nacional de Gestão do Agronegócio, em Chapecó. Com o tema “A economia brasileira e o Agronegócio”, ele apontou que haverá recuperação econômica em vários países do mundo em 2010, especialmente no Brasil, que no ano passado sofreu com a crise internacional.
Depois da crise, explicou Mendonça de Barros, três grupos de países se depararam com perspectivas diferenciadas. Alguns, especialmente da Ásia, passaram pela turbulência e projetam um futuro promissor. Para o Brasil, as projeções revelam crescimento de 6% neste ano. A recuperação econômica deve aquecer a demanda interna, o que é positivo para o setor de alimentos em geral. No entanto, a previsão é de que a inflação deve subir. Além do Brasil, a China, a Indonésia e a Índia, que fazem parte do mesmo grupo, mantém crescimento acelerado, mas com riscos de inflação.
Mendonça de Barros explicou que a elevação da demanda de alimentos decorrentes da incorporação de centenas de milhões de pessoas ao mercado de trabalho, bem como a enorme demanda por energia e outros produtos sustentáveis, representam uma extraordinária oportunidade para o Brasil. Para ele, o aproveitamento destas oportunidades de exportação aberta ao agronegócio e a crescente massificação do mercado interno para produtos industriais, são duas alavancas fundamentais de desenvolvimento brasileiro. “Precisamos aproveitar essas oportunidades”.
O grupo que envolve os Estados Unidos, a Alemanha e a França, continua sofrendo os impactos da crise internacional. Porém, apesar de lento, vem apresentando crescimento econômico sustentável. O terceiro grupo é o de países que ainda continuam abalados pela crise (Inglaterra, Espanha, Itália, Japão, México, Argentina e Venezuela). “O Japão está há 20 anos estagnado. É um país rico, mas sem investimentos, com população reduzida e com medo do futuro”, exemplificou.
A situação da Zona do Euro também esteve em destaque durante a palestra. Foi apresentado o caso da Grécia, que é um país importante para a continuidade da união monetária europeia. Uma possível deficiência na Grécia também ameaça outros países da região, tanto quanto ao sistema bancário europeu. “O conjunto das economias não permitirá deficiência do sistema. Entretanto, a ajuda será restrita e exigirá contrapartidas dos países beneficiados, em termos de ajustes fiscais”, destacou.
As conseqüências, para o economista, são de diversas naturezas como a desvalorização do euro, que beneficiará mais a Alemanha e a França - países de elevada produtividade - do que países como a Grécia, bem como a volatilidade, a instabilidade política, o crescimento modesto da região por determinado tempo e o maior fluxo de investimento para os BRIC’S (Brasil, Rússia, Índia, China).
Ao abordar os diferenciais competitivos da agricultura brasileira, Mendonça de Barros, reforçou que o país tem água e solo abundante, além do desenvolvimento de um sistema de geração de tecnologia através da Embrapa, secretarias estaduais de agricultura e instituições privadas; sistema de plantio direto que permitiu duas safras em um ano e sistema de integração lavoura-pecuária e pecuária-lavoura-reflorestamento.
Outros fatores importantes são a grande diversificação de produtos estruturados em cadeias produtivas (açúcar, álcool, laranja, café, soja, milho, algodão, madeira, tabaco, borracha, cacau, frutas, tomates, carnes vermelha e branca, ovos, leite, flores e hortaliças); sistema de agronegócio sofisticado, fazendo com que a constante inovação oportunize rentabilidade ao setor e a solução da oferta de recursos humanos, tanto na educação superior quanto na educação média. “O setor agrícola brasileiro foi o que mais bem resolveu o sistema de qualificação”, assinalou o palestrante.
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