Qua, 12 de Maio de 2010 00:00
“O pacote de medidas anunciado pelo governo para estimular as exportações é apenas um paliativo, por que não trata do principal, que é a política de câmbio e infraestrutura do país” A análise é feita pelo deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR).
Segundo o parlamentar paranaense, embora o pacote contenha medidas positivas, como a inclusão das micro e pequenas empresas participantes do Simples, “ele não trata da questão cambial que é crucial para estabelecer a competitividade das empresas nacionais no mercado externo”, enfatiza Kaefer.
DEBATE
Essas questões ficaram evidentes durante a realização do seminário sobre juros e câmbio na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal na última terça-feira (4). O deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) voltou a criticar a atual política cambial praticada pelo Banco Central e seus efeitos danosos sobre o setor exportador brasileiro. “Há uma tendência de que viremos exportadores de commodities, de grãos, café, soja, milho, minério de ferro e petróleo. Exportamos bruto e importamos alguma coisa”, afirmou.
Na manifestação que fez durante o seminário, o deputado paranaense também chamou a atenção para a conjuntura prejudicial à produção nacional comparando-se com outros países. “A queda sistemática do parque manufatureiro, a competição com países do mundo afora - que não têm essa política ou têm o câmbio controlado - que não tem carga tributária como nós temos, deixam-nos totalmente alijados do mercado, fora da competição”, acrescentou.
Kaefer lembrou que o Banco Central reajustou recentemente a Taxa Selic de 8,75% para 9,5%, transformando-nos novamente no país com a maior taxa de juros real do planeta (entre 6% e 8%). Portanto, segundo o deputado, “além do câmbio equivocado, temos uma política de elevação da taxa básica de juros que se constitui no único instrumento que o Banco Central diz ter para combater a inflação”.
Durante o seminário, do qual participaram vários economistas de renome do país, o deputado Alfredo Kaefer enfatizou que neste momento, quando as empresas começam a mostrar sinais de retomada do crescimento, a voltar ao nível de emprego e a economia a reaquecer, o Banco Central intervém para aplicar esse instrumento penalizador. “Por que não fazer ajustes na área de custos? Por que não ajustar os preços administrados pelo governo, como energia elétrica e combustíveis, por exemplo, que ainda estão no mesmo valor desde que um barril de petróleo estava a 120, 130 dólares”?
Kaefer finalizou chamando a atenção para a necessidade de se fazer as grandes mudanças que o Brasil precisa, citando a reforma tributária e mudança no pacto federativo, modificando a distribuição de recursos entre os entes federados. “São reformas necessárias que espera-se sejam defendidas pelos candidatos a presidente, para que o país ande no rumo certo, seguro, de desenvolvimento e de pleno emprego”, defendeu.
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