Ter, 31 de Agosto de 2010 17:17
RIO - A maior parte das famílias que têm contas atrasadas a ser pagas diz que não tem condições de arcar com as dívidas, de acordo com levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A pesquisa realizada em 3.810 domicílios em 214 municípios do país mostra que 37,8% dos entrevistados endividados diz que não vai ter condições de pagar as contas em atraso. Em seguida, aparecem ainda aqueles que terão condições de pagar parte da dívida, somando 36,74% dos entrevistados pela pesquisa. Somente 22,81% das famílias endividadas declararam ter condições de arcar totalmente com as dívidas contraídas e 2,65% declararam não saber se têm condições ou não.
A região do país onde o nível se mostra mais preocupante é a Norte, onde 53,3% não têm condições de pagar e 28,9% pagarão parcialmente as suas dívidas. A melhor situação foi registrada no Centro-Oeste, onde 57,9% têm capacidade de arcar totalmente com as contas atrasadas e apenas 18,4% não terão condições de pagar.
Na região mais rica do país, o Sudeste, 31% declararam não ter condições de pagar as contas atrasadas, 39,8% podem pagar parte das dívidas e 22,6% podem quitar totalmente o que devem.
O presidente do Ipea, Marcio Pochman disse que, de uma maneira geral, "o indicador de endividamento das famílias brasileiras é muito baixo". Segundo ele, que apresentou os dados nesta terça-feira, uma em cada 10 famílias está endividada. "No entanto, nesse grupo que se encontra endividado, temos um número significativo com dificuldade de pagar a dívida", disse Pochman. Esse quadro se reflete no planejamento de tomada de financiamento ou de empréstimos pelo país. Na média nacional, apenas 7,56% dos entrevistados declararam ter planos de criar dívidas. Aqueles que declararam não ter esse tipo de plano somam 91,02%.
As famílias que recebem muito pouco por mês, com renda de até um salário mínimo, são as que menos têm dívidas. Mas o presidente do Ipea lembrou que isso se deve, em grande parte, à exclusão do sistema bancário por que passa esse segmento da população.
Já entre as famílias que recebem mais de 10 salários mínimos, 36,92% dizem não ter dívidas, 33,85% se consideram pouco endividados, 22,31% se dizem mais ou menos endividados e 6,92% alegaram estar muito endividados.
"O que os dados mostram é que as famílias com maior escala de renda são justamente aquelas com maior grau de endividamento. As famílias com menor rendimento e com menor escolaridade são aquelas que estão mais ausentes do crédito, em parte por dificuldades de tomar crédito, por exclusão, e outra por não ter a prática de crédito, por incerteza no emprego", disse.
Mas, acredita ele, na medida em que o Brasil continue a manter o ritmo de expansão econômica e melhorar a distribuição da renda, "certamente" o endividamento tende a ser algo mais generalizado pelas famílias.
- 08/02/2011 - Brasil tem 63 mil milionários, com R$ 371 bilhões aplicados
- 08/02/2011 - Ministro recebe apoio de senadores para mínimo de R$ 545
- 08/02/2011 - Inflação oficial tem maior taxa em 6 anos
- 05/12/2010 - Déficit nas contas do Estado em 2011 pode chegar a R$ 1,5 bilhão
- 31/08/2010 - Projeto orçamentário para 2011 prevê mínimo de R$ 538,15
- 13/05/2010 - GOVERNO APOIA COMERCIALIZAÇÃO DE MILHO, ARROZ E FEIJÃO
- 13/05/2010 - Em reunião com BC, Vargas defende mudanças nos cartões de crédito
- 12/05/2010 - Pacote anunciado pelo governo é apenas um paliativo, diz Alfredo Kaefer
- 11/05/2010 - Mercado de trabalho dos EUA anima ao abrir 290 mil vagas, mas desemprego cresce InfoMoney
- 10/05/2010 - Mãe, mulher e investidora: elas buscam segurança, mas já apostam na renda variável







