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Tarde de sábado (6) e domingo (7) milhares de brasileiros fizeram as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2010. Muitos problemas, alta abstenção e a possibilidade de a prova ser anulada. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) diz que os problemas são pontuais e que são diferenças "previstas" em um processo "dessa complexidade".
No sábado, foram aplicadas as questões de ciências da natureza e ciências humanas. No domingo, foram aplicadas questões de linguagem, códigos e suas tecnologias, matemática e sua tecnologias e redação.
Mais de 4,6 milhõesse inscreveram, em 1.698 municípios, segundo informações do Inep, autarquia do MEC (Ministério da Educação), responsável pela prova. A cidade com o maior número de inscritos é São Paulo, com 191.532 - o Estado de São Paulo, o mais populoso do país, é também o recordista de candidatos com 829. 751 inscrições.
O arquipélago de Fernando de Noronha é o "menor" local de provas, com 39 estudantes esperados. O Estado com o menor número de inscritos é o Amapá, com 14.631.

Perfil dos inscritos
Os candidatos que compareceram aos 16 mil locais de prova do Enem têm um perfil diferente daqueles que participaram das primeiras edições da avaliação. Mais da metade dos inscritos (58%) já concluíram a educação básica em anos anteriores e boa parte não está mais na faixa etária dos alunos do ensino médio – 1,5 milhão tem entre 21 e 30 anos e 691 mil são maiores de 30.
A participação dos chamados egressos aumenta a cada ano: em 2008, eram 38% e em 2009, 55%. O interesse desse público pela prova pode ser explicado pelas novas possibilidades de acesso ao ensino superior que o Enem oferece.

Enem 2010
A estrutura foi a mesma do exame do ano passado. O Enem abrangeu as áreas de linguagens e códigos, ciências da natureza, matemática e ciências humanas. O exame teve quatro provas objetivas de múltipla escolha, com 45 questões cada uma, e redação. A novidade este ano foram as questões de língua estrangeira (inglês ou espanhol) na área de linguagens e códigos.
A prova, que adotou novo modelo no ano passado, será utilizada por pelo menos 24 universidades federais como forma única de ingresso em 2011. O Sisu (Sistema de Seleção Unificado) será usado por 38, seja para preencher todas as vagas, seja para preenchimento parcial. O sistema deve começar a rodar no dia 20 de janeiro.

Os que se acham prejudicados podem reclamar a partir de hoje
O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Joaquim José Soares Neto, afirmou que estará no ar hoje, quarta-feira (10), o ambiente virtual para requerer correção da prova levando em conta o cabeçalho da folha de respostas em vez de considerar a ordem numérica. O requerimento estará no site de inscrição do Enem. Os candidatos terão até 16 de novembro para fazer o pedido, segundo Soares Neto.

Cabeçalhos trocados
A folha de respostas do primeiro dia do Enem teve o cabeçalho invertido. A prova apresentava as questões divididas entre ciências da natureza e de ciências humanas. O caderno de respostas tinha a mesma divisão de área, mas com ordem trocada. A orientação do MEC era de que os alunos preenchessem o gabarito de acordo com a ordem numérica.
Houve desencontro de informações e, em alguns locais de prova, os candidatos foram orientados a preencher o gabarito invertendo a ordem das respostas - o que é incorreto, uma vez que a ordem numérica das respostas não havia sido alterada.

Após confusões, MEC pode aplicar outro Enem
O Ministério da Educação (MEC) pode aplicar outro exame do Enem para candidatos prejudicados no sábado pelo erro de montagem no caderno de prova amarelo. Essa é uma das possibilidades contempladas na promessa do MEC de analisar "caso a caso" queixas de estudantes, mas só será adotada em última hipótese. O Estadão apurou que, pelo balanço oficial, cerca de 20 mil alunos receberam cadernos com problemas, mas a maioria conseguiu trocá-los. Dessa forma, a estimativa é de que o número de candidatos com direito à nova prova seja bem inferior, de aproximadamente 2 mil.
Como é de praxe em vestibulares, os fiscais têm um estoque de segurança para repor exames com problemas. No caso do Enem, essa margem era de 10%, do total de provas impressas. Havia ainda a possibilidade de recorrer aos cadernos dos alunos que deixaram de fazer o Enem no sábado (cerca de 27% do total de 4,6 milhões de inscritos).
Apesar de o MEC considerar que a maioria dos alunos que receberam o caderno com erro de montagem foi alertada pelos fiscais e pôde fazer a troca, o Estadão.edu identificou na porta dos locais de exame pelo menos três vestibulandos (em Curitiba e Belo Horizonte) que disseram ter recebido um segundo caderno com problemas.
A confusão aconteceu porque, para evitar cola no local dos exames, o Enem tem quatro versões do caderno de prova: amarelo, azul, rosa e branco. As questões são as mesmas, o que varia é a ordem. Em milhares de casos, por um erro no encarte, folhas do caderno de prova amarelo estavam misturadas a folhas da prova branca. Com isso, estudantes se depararam com textos repetidos ou questões ausentes. Somando os dois fatores, vestibulandos como Henrique Reis, de Belo Horizonte, por exemplo, identificaram problemas em 31 das 90 questões do exame.
Estudantes que fizeram a prova no sábado enfrentaram outro tipo de problema, a inversão do cabeçalho do cartão-resposta entregue a todos os candidatos. Embora o número das 90 questões no caderno de prova e no cartão coincidissem, havia discrepância no cabeçalho do gabarito. As 45 questões de Ciências Humanas estavam sob a tarja Ciências da Natureza e vice-versa.
O Inep afirmou que avisou fiscais para orientar os alunos. Mas a imprensa divulgou vários casos de estudantes que não foram alertados sobre o erro ou então só receberam o aviso horas depois do início da prova. Muitos deles afirmaram que se confundiram ou não tiveram tempo de fazer a marcação correta. O MEC admitiu que vários estudantes podem ter sido prejudicados e prometeu abrir espaço no seu site para receber, a partir de hoje, queixas de candidatos, que serão analisadas caso a caso.

OAB-SP diz que Enem pode ser anulado
Os erros de impressão nas folhas de resposta e nas provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) podem levar à anulação da prova, segundo a seção paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Para o advogado Edson Bortolai, presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem da OAB-SP, a confusão na folha de respostas pode induzir o aluno ao erro. "Uma prova não pode ser considerada uma armadilha. O aluno não se preparou para esse tipo erro. Na minha opinião, a prova deveria ser anulada", disse.
Ainda segundo Bortolai, os alunos que tiveram despesas com viagem e hotel e se sentirem prejudicados podem procurar o Ministério Público, que por sua vez pode entrar com pedido de ação coletiva para indenização em benefício de todos que realizaram o exame.
O presidente do Inep, José Joaquim Soares Neto, negou que os problemas possam anular o exame ou atrasar a divulgação dos resultados e afirmou que vai apurar a responsabilidade pelo erro.
Cerca de 4,6 milhões de estudantes se inscreveram para a prova, mas a abstenção foi de 27% --3,4 milhões compareceram, no primeiro dia. No ano passado, quando a prova vazou e foi adiada, a abstenção chegou a 38% no primeiro dia.
Após candidatos reclamarem dos erros, o governo afirmou que o aluno poderá pedir pelo site do Inep (www.inep.gov.br) para que a correção seja feita seguindo a ordem que preencheu.
 

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