Não reagir interessa a quem?

O Brasil viu estarrecido, por um lado e confortável por outro, a coragem do empresário Pedro Ivo de Torres Souza, 21 anos, que matou um de seus seqüestradores e fugiu de seu cativeiro na cidade de Americana, interior de São Paulo, afirmar em entrevista ao Fantástico que o ato foi um ato de desespero e que não aconselha ninguém a tomá-lo como exemplo. “Se eu tivesse que fazer tudo de novo, acredito que eu faria. Não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz. Mas, estou me recuperando e vai dar tudo certo”, disse o empresário.
Souza, como milhares de brasileiros, pais de família e empresários que se credenciam a promover o desenvolvimento oferecendo oportunidades, descreveu alguns dos momentos que viveu no cativeiro. “A certeza que eu tinha era que eu ia morrer. Eles ficavam dizendo que eu ia morrer”, afirmou.
Segundo o empresário, a oportunidade para fugir surgiu quando os seqüestradores tentaram drogá-lo para que ficasse inconsciente. “Fiz que tomei, mas não tomei o remédio. Ficou na minha mão”, explicou. Logo após o ocorrido, Souza afirmou ter avistado a arma que usou para atacar um dos seqüestradores. “Olhei que tinha um machado atrás do guarda roupa. Ficou perto da minha mão e foi a única coisa que eu podia pegar”, explicou. Após tomar posse da arma, ele atacou e matou Robson Silva Barbosa, que dormia no momento. Após dominar os outros dois seqüestradores, ele os obrigou a levá-lo até a polícia.
Sempre ouvimos que não devemos reagir contra os bandidos. Devemos colaborar. A coragem de Pedro poderá motivar muitas futuras vítimas a se defenderem e a eliminar quem acaba com o sossego e com projetos pessoais e empresariais. Isso é estarrecedor, pois muitos poderão tombar. O cidadão de bem não está preparado para reagir e se o fizer, com raras exceções, vai encontrar moleza pela frente. O confortável é que a Polícia apenas ouviu o empresário que salvou a sua vida e a de muitos outros, ao retirar um delinqüente do caminho e conduzir outros dois para a prisão, mas que em breve, estarão soltos e aptos a continuar no crime.
Este fato, deve ser peça de reflexão para ambos os lados. Para os criminosos e para os cidadãos comprometidos com o bem estar da família e da sociedade. Se todos reagirem, haverá bandidos com “coragem” para continuar a seqüestrar, roubar, matar...? Se seguirmos a cartilha da não-reação, haverá alguém para contar o ato heróico deste jovem? Se ficarmos calados, a corrupção (política, econômica, de menores, etc.), o medo do cidadão (de autoridades, de bandidos, de desgovernos) continuará facilitando caminhos para a baderna e a falácia? Quando você não reagir, quem ganha com isso? A quem interessa continuar na submissão? Também não aconselho a fazer o que o jovem fez, mas precisamos reagir. Precisamos cobrar. Precisamos denunciar, porém, pra quem?

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