Metodologia europeia vai auxiliar no desenvolvimento do setor leiteiro do sudoeste do Paraná
O segundo workshop reuniu produtores de leite e representantes de laticínios da região, em Francisco Beltrão Assessoria

Previsão de cenários servirá para fortalecer o ecossistema e a elaboração de estratégias para produtores e agroindústrias

A região Sudoeste conta com a maior bacia leiteira do Paraná, com produção anual de 1,2 bilhão de litros, segundo a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop). Para fortalecer a cadeia produtiva, o Sebrae Nacional e o Sebrae/PR estão trazendo uma metodologia idealizada pelo Centro Tecnológico Cosmob, instituição italiana. O Foresight, que em tradução livre significa previsão, consiste em analisar uma série de fatores para estabelecer cenários futuros, levando em conta aspectos tecnológicos, de inovação e hábitos de consumo, entre outros.

Na região Sudoeste, o Foresight está sendo aplicado pelo Sebrae/PR, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste do Paraná. A metodologia começou a ser apresentada aos produtores de leite e representantes de laticínios da região, no dia 20 de fevereiro, em Francisco Beltrão, na sede da Agência. Em novembro do ano passado, aconteceu o primeiro evento, destinado às instituições públicas e privadas.

O Foresight foi apresentado pelo italiano Emilio Beltrami, consultor da Cosmob que vai coordenador a coleta das demandas e ofertas disponíveis na região, para a posterior construção do cenário futuro. A iniciativa também está acontecendo em outras duas regiões paranaenses importantes na produção de leite, Ivaiporã e Cascavel.

No dia 2 de abril, em Francisco Beltrão, na Agência, Beltrami fará a apresentação do cenário tecnológico do setor lácteo do sudoeste. Célio Wessler Boneti, diretor executivo, explica que o estudo mostrará os eixos a serem trabalhados. “As organizações proponentes, Sebrae e Agência, querem integrar todos os atores da cadeia produtiva. Temos instituições públicas e privadas, o Sistema S, universidades e as organizações dos produtores de leite, queijarias e laticínios. A intenção é propiciar a interação entre eles e promover o desenvolvimento. A governança do Plano de Desenvolvimento Regional Integrado (PDRI) deverá ser envolvida no processo”, resume Bonetti.

O diretor executivo cita ainda a plataforma digital, serviço que será disponibilizado pelo Sebrae/PR para reunir todos os segmentos do setor leiteiro nas três regiões que estão adotando o Foresight. “A plataforma vai trabalhar com toda a produção, promovendo o diálogo entre indústrias, produtores e queijarias”, completa Bonetti.

Alyne Chicocki, consultora do Sebrae/PR, ressalta que os integrantes da cadeia produtiva do leite do Sudoeste precisam estar atentos ao que está acontecendo em outras partes do planeta. “Há muitas informações relevantes em países que são referência na produção de leite e derivados. O movimento alavancado pelo Sebrae e parceiros vem para somar com as estratégias existentes. O objetivo é entender o cenário atual, fortalecer o ecossistema do setor para elaboração de estratégias conjuntas e elaborar plano de inovação coerente com as expectativas de futuro da cadeia produtiva do leite da nossa região”, reflete Alyne.

Boas expectativas
Marilucia Trombeta, sócia-administrativa na Indústria de Queijos Nato Bom, de São Jorge D’Oeste, esteve entre os participantes da apresentação que aconteceu no dia 20 de fevereiro. A empresa tem 30 colaboradores e completou 25 anos em 2018. “Foi muito interessante conhecer o modelo europeu, como é a estrutura de lá. Temos dificuldade no mercado, pois há muitas grandes empresas no setor. Uma das saídas pode ser a fabricação de produtos diferenciados. A área de queijos diversificados é bastante nova no Brasil, podemos aprender com os italianos”, observa a empresária.

Leonardo Ornellas Faquini, administrador industrial da Laticínios Lacto, de Francisco Beltrão, também acompanhou a apresentação. A unidade gerenciada por ele tem 155 colaboradores e o Foresight foi bem recebido. “A avaliação é a melhor possível, pois [a metodologia] demonstra pontos críticos com relação ao planejamento estratégico para empresas de um mesmo segmento, buscar sintonia e parceria para a viabilidade operacional e agregar valor aos seus produtos e serviços”, analisa.

O gerente da Latco acredita no sucesso da metodologia, “desde que as empresas e gestores adotem postura de cooperação integral, no sentido de somar os pontos positivos de cada empresa, para fortalecimento das suas operações”.

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