A vingança da abelha

“O que você faz da vingança?”. Andava ainda sonolento quando me deparei com essa pichação. É bem verdade que a matéria de Neuroanatomia está tomando uma grande porcentagem do tempo livre, mas, nunca havia parado para pensar nisso. Vingança. A palavra soou mais forte que qualquer forame ou outro acidente ósseo. “Será mesmo que sou capaz de definir o que faço desse tão infame sentimento humano?” Ou ainda: o que é vingança? De que lugar surgiu? Apesar de tais perguntas parecerem mais com uma abertura do Globo Repórter, parei para analisar o que motiva homens e mulheres a fazerem atos muitas vezes inteligíveis pelas pessoas foras do contexto dado.

“Vingança consiste em ir contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi percebido ou sentido como prejudicial. Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo. Quem busca vingança deseja forçar o outro lado a passar pelo que passou e/ou garantir que não seja capaz de repetir a ação nunca mais.” Creio que a melhor definição de vingança seja mesmo esta. Tentei combinar frases e trocadilhos, mas, nada define esse ínfimo desejo de “justiça” melhor do que o “Igualar as coisas”. Aparelhar pontas, contornar arestas do passado... Seja jogando sujo ou limpo é disso que os “Vingadores” gostam. Apesar de tudo “Do que vale a vingança, caro amigo, se a honra não se lava?” Diz isso, o senhor Castro Alves.

Até mesmo a vingança tem seu próprio código de ética. Talvez, a vingança e sua ética tenham surgido no que nos parece ser a origem da sociedade: Mesopotâmia. Entre os rios Tigre e Eufrates repousou o primeiro código de leis escritas da humanidade: O código de Hamurabi. O imperador Babilônico decidiu organizar uma série de regras de conduta para sua civilização em expansão, porém, tão somente nos lembramos do “Olho por olho, dente por dente.”. Talvez, sem querer querendo, Hamurabi criava a primeira lei da vingança: “O mal infligido deve ser proporcional ao mal recebido.”. Há filósofos que digam que a vingança é necessária para equilibrar a sociedade. Outros ainda dizem que o mal retribuído deve ser duas vezes maior do que o que foi feito. Porém, sei também de um homem que disse: “Olho por olho e o mundo acabará cego.” Se não me engano seu nome é Mahatma Gandhi.

“Nada melhor que descobrir um inimigo, preparar uma vingança e dormir tranquilo.”. Stalin vivia dias de glória quando proferiu tais dizeres. Não duraram muito. “Mas, quem dentre vós nunca pretendeu e prometeu vingança? Quem nunca desejou a víscera do outro por duas ou três palavras?” Sem dúvida alguma, não conheço pessoa próxima que nunca tenha dito um “Ele me paga”. Quando se sofre, seja por qualquer fator, entende-se o que é vingança. Vingar-se da sociedade, do passarinho que defecou em você, da rapaziada que te zoava no colegial, do varal que derrubou sua roupa branca, das pessoas que riram das suas quedas, do benjamim que parou de funcionar ou de quem disse que você não conseguiria. A vingança lhe puxa para dentro, tão obscura quanto os negros olhos machadianos de Capitu. Mas, há algo que pode obliterar a vingança, precisei que me falassem várias vezes sobre ela, contudo, só entendi quando li um trecho de um livro qualquer. Não posso descrever esse remédio milagroso que poderia e deveria evitar tanta maldade, não sou capaz. Todavia, foi falando da doçura dessa vingança que consegui entender... “Dizem que a vingança é doce; à abelha lhe custa a vida.”.
 
PS: Peço-lhes desculpa, talvez seja desnecessário, pelo tempo que fiquei sem escrever. Foi preciso arrumar a casa, organizar o novo material e encaminhar a papelada.
 

 

Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   Twitter: @AlencarJrP

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