Bombardearam a casa de Eike Batista

Não é novidade que a mídia super valoriza acontecimentos relacionados a pessoas famosas. “No sábado (17), o filho, Thor Batista, do sétimo homem mais rico do planeta, Eike Batista, atropelou um ciclista, Wanderson Pereira, na Rodovia Washington Luís (BR-040). Segundo o Delegado, as marcas de frenagem mostram que o atropelamento, apesar de haver depoimentos contrários, foi no meio da pista. Exames constaram que Wanderson havia ingerido bebida alcoólica, o equivalente a seis latas de cerveja.”. Em resumo foi isso o que TODOS os jornais televisivos, ou não, do país enunciaram. Tamanha atenção foi dada para um caso que é de forma alguma isolado; sem mencionar que o enfoque não foi ao ocorrido, e sim, ao fato do FILHO DE EIKE BATISTA ter se envolvido em um acidente; o homem que morreu não vem ao caso.

 Acidentes de trânsito são comuns no país, tanto que, em grande maioria, são vistos como “acidentes simples de percursos”, encarados por chavões populares: “Pra bater só é preciso dirigir.”. Sem sangue frio. Comovo-me com a família. Sei como é perder um ente próximo; nada preenche a lacuna de tal ausência. Porém, vos pergunto: Quantas mortes sociais, por falta de auxílio ou abandono familiar, por falta de atendimento nas filas do SUS, sistema perfeito no papel que não dá totalmente certo por conta da incompetência e da corrupção, ou ainda, quantas famílias tombam pelo tráfico de drogas? Quantas mortes ocorrem sem receber mínima atenção? “Ah, mas foi mais um que “bateu as botas”!” Lhes pergunto: Qual a diferença entre ser morto por uma bala perdida ou atropelado por uma Mercedes McLaren? A única desigualdade está no auxílio que a família do segundo caso receberá, apesar disso, nada justifica essa máxima atenção a algo que já ocorreu OITENTA vezes no mesmo trecho. Foram OITENTA atropelamentos, sendo TRINTA E SEIS de ciclistas.

A mídia soube aproveitar bem do ocorrido. O advogado da família Batista disse algumas frases célebres na breve entrevista que deu: “Se ele não fosse filho de quem é, não haveria repercussão alguma. Isso acontece sempre neste local.” Por que motivo tão somente agora é que todos estão tão chocados com um atropelamento lá? Por que a mídia, ao invés de aproveitar-se de um infortúnio como este, não usa de seu poder persuasivo para desencadear uma campanha para adequação do trecho para ciclistas e pedestres? Quantos mil anos terão de passar com o “Pão e Circo”?

Nada explica os atos do Bad Boy Batista. Um quadro de quarenta e tantas multas na carteira, sendo a grande maioria por excesso de velocidade, leva-nos a crer que Thor gostava de viver a vida ao extremo. Ele deve e será julgado. Mas, pensemos nós: O que trará esse julgamento? Se for provado que Thor estava acima da velocidade permitida no trecho, mas que o ciclista estava no meio da faixa, ele responderá por homicídio culposo sem a intenção de matar. Pena prevista de 2 a 4 anos de detenção, que acaba sendo convertida, por nossa moderna justiça, em trabalhos comunitários e doações de cestas básicas. Justiça não será feita aí! O que isso trará a família de Wanderson? Conforto e a verdadeira JUSTIÇA, a família terá quando souber que ninguém mais passará pelo que eles passaram, pois o governo analisou a necessidade evidente de construir uma passarela para pedestres e ciclistas no local. Dar ênfase a algo por conta de quem o fez é idiotice. No sentido grego da palavra. Alguém sabe quantas pessoas morreram de fome no mesmo dia na áfrica? De HIV? Não é o fato de “Não se importar com a dor alheia” e sim a revolta em saber que todos veem isso diariamente e não fazem NADA. “Ah, mas é o filho do Eike Batista!”.
 

 

Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   Twitter: @AlencarJrP

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