Jogamos gênios no lixo

Quando pensamos em tecnologia e inovação nos vem a cabeça países como Estados Unidos, Japão, Alemanha; terras da criação, da fantasia, da imaginação, onde o que você quiser pode, e deve, ser inventado. Então miramos no Brasil. Berço da criatividade, onde tudo que parece complexo encontra uma resolução simples. Pense por exemplo no chinelo, popular “havaiana”, que estoura sua tira: O destino certo seria sem dúvida o lixo, mas, não!  Eis que colocamos um prego e “voilá”, chinelo novinho em folha!  Sabendo da ousada inteligência tupiniquim, pensemos: Por que motivo o Brasil não é uma das referências em criação e inovação de tecnologias? Seriam nossas Universidades? As escolas que suprimem o “sair da linha traçada”? Falta de assistencialismo governamental a pesquisas? A burrocracia que não permite inserção de capitais privados em pesquisas universitárias?  Sem dúvida esses quesitos exercem grande influência no desempenho do país, contudo, o fator determinante na baixa criação brasileira é cultural. Você pode perguntar-se, “Como a cultura modifica algo relacionado à produção de tecnologia?” é simples, basta analisar a preferência de nossas crianças. É muito mais fácil comprar um carrinho, brincar com ele até que estrague, e então, descartá-lo e efetuar a compra de outro ainda melhor. E você, pai, que assiste tudo, compra o novo brinquedo ou dispara: “Quem mandou quebrar, agora vai ficar sem.

As escolas não excitam os alunos a tornarem-se “inventores”. Existia algo muito interessante no meu tempo de ensino fundamental: Feiras de ciência. Além dos épicos vulcões e trabalhos feitos em cima da hora que acabavam por não dar certo, muita coisa bacana era produzida lá. Porém, passados os dois ou três dias de feira, tudo ia para um canto e virava sucata. Quantos criadores foram, talvez, suprimidos? O governo até tentou incentivar essa produção acadêmica através de grandes eventos, como por exemplo, o FERA e Consciência, mas os mecanismos expostos iam parar no mesmo destino dos do evento escolar: Lixo. Nos Estados Unidos, um menino inventou um software que, com auxilio de uma pequena câmera instalada na parte superior da porta da sua casa, tirava fotos da pessoa que estava lhe tocando a campainha e lhe enviava por mensagem no celular. Caso você não estivesse em casa, saberia quem esteve ali.O menino tinha doze anos na época. O invento foi registrado à quatro anos. Na época, o estudante tinha 12 anos. Local de exposição: Feira de ciências da sua escola. Quem o auxiliou na patente do invento e depois garantiu seus progressos em pesquisas nesse ramo: A escola.

O país ainda não dá subsídios para a criação e inovação. Será que Eduardo Saverin teria auxiliado Mark Zukemberg a criar o facebook se ambos estivessem no Brasil? A história não abre espaços pra probabilidades, mas, se considerarmos todo o ambiente onde ambos os jovens estavam inseridos quando realizaram o feito de criar a maior rede social da atualidade, dificilmente isso teria acontecido em terras verde-amarelas. Ou então, o caso de Miguel Nicolelis, médico brasileiro que realiza seus projetos de pesquisa nos Estados Unidos por um simples fato: O governo americano investe cerca de 430 milhões por ano no hospital em que Nicolelis trabalha. O projeto de Miguel é o do famoso “ponta pé inicial” da copa, criar um exoesqueleto movido pelas sinapses colhidas logo abaixo do tronco encefálico.

A culpa da falta de produção de capital intelectual aplicado não pertence tão somente aos poucos investimentos do governo, mas sim, a falta de incentivo da sociedade. É tão mais cômodo copiar uma ideia, ou elaborar algo tendo base do que se faz, apesar disso, devemos pensar no “por que tem de ser desse jeito?”. Entrei a pouco no universo acadêmico, porém, o que mais vejo é o optar pelo caminho mais fácil que exija pouca pesquisa e, de preferência, não precise ser começado do zero. Não precisamos de uma hora para outra tornar-nos cientistas malucos que reinventarão o mundo... Basta que, quando seu filho chegar à sala, enquanto você estiver assistindo seu “sagrado” jornal, com o carrinho novo quebrado, ao invés de repreendê-lo, você levante e diga: “Báh filho, queimou o motorzinho! E agora? Será que não tem como concertá-lo, ou, melhor ainda! Por que não tentamos colocar um motor maior pro carrinho andar mais rápido?”. O mundo precisa de pessoas que enxerguem o simples, hoje, pensando no complexo futuro. Deixemos nossos pequenos gênios crescerem acreditando que podem tornar-se o que quiserem, não joguemos tantos cientistas em potencial no lixo de nosso comodismo.
 
Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   
Twitter: @AlencarJrP
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