Do pibinho ao pibículo

Ademar Traiano
A economia brasileira começa dar sinais de fadiga, de fim de ciclo. Apesar da queda dos juros, da desvalorização do câmbio, do alto consumo e da boa situação do emprego, os sinais são preocupantes.

As previsões sobre o crescimento do PIB são um alerta dramático. No início do ano a expectativa era de um crescimento de 4,5%. Despencou para 2,01% em julho e já se fala em 1,5%. Depois do “pibinho” de 2011 (2,7%), estamos prontos para colher um “pibículo” em 2012.

O governo federal não se entende sobre as causas dessa estagnação. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, arriscou, em entrevista a Folha de S. Paulo, uma interpretação psiquiátrica. Os empresários brasileiros estariam sofrendo de ciclotimia.

A ciclotimia é um distúrbio bipolar em que o paciente alterna períodos de euforia com outros de depressão. O ministro Guido Mantega parece crer nesse diagnóstico, tanto que vem ministrando estabilizadores de humor e antidepressivos à economia na forma de pacotes de estímulo a cada novo indicador econômico negativo. Já foram nove pacotes.

A presidente Dilma Rousseff, depois de seguir o raciocínio do antecessor, Lula, sobre o suposto efeito “marolinha” da crise internacional no Brasil, mudou de ideia e passou ver gravidade na crise e a atribuir a culpa pelos nossos problemas aos efeitos da conjuntura internacional.

A causa dos nossos problemas, no entanto, parece ser outra. Principalmente má gerência e falta de disposição para atacar de frente os nossos problemas estruturais. A bonança econômica desfrutada pelo governo Lula, essa sim fruto da conjuntura internacional, foi maximizada pelo fato de o PT ter recebido uma economia saneada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O problema foi que Lula não fez as reformas estruturais, não atacou os gargalos de infraestrutura nem reduziu o custo Brasil. Fez uma opção preferencial pelo populismo.

Inflar a popularidade do presidente a níveis sobrenaturais e eleger a sucessora foram as grandes metas de seu governo.

Dilma incorporou, para efeitos midiáticos, o papel de gerente eficiente e mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Um recente relatório do Tribunal de Contas da União destroça essa imagem de grande gerente. A presidente, que participou desse teatro populista de Lula e se beneficiou dele, recebe agora a fatura.

É mais fácil colocar a culpa pelas mazelas da economia brasileira nos outros. Nos brancos de olhos azuis (como o próprio ministro Guido Mantega), nos supostos distúrbios psiquiátricos dos empresários vergados pelo custo Brasil. Colocar a mão na massa e atacar de frente os nossos gargalos de infraestrutura é complicado e dá mais trabalho que produzir pacotes em série e passar pitos no mercado.

*Ademar Traiano é deputado estadual pelo PSDB/PR e líder do governo na Assembleia Legislativa.

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