INPE lança nova ferramenta para riscos ambientais

Até agora o governo federal não reverteu o corte orçamentário do INPE, o que certamente vai implicar em redução dos serviços que a instituição desenvolve. Serviços, aliás, valorizados e respeitados não só no Brasil como também no resto do mundo.

Prova disso foram os dois prêmios que o ex-diretor do INPE, Gilberto Câmara, recebeu, um do United States Geological Survey (USGS), órgão do governo americano vinculado à NASA e responsável pela recepção e disseminação de imagens de satélites de sensoriamento remoto, e outro da França, a Medalha da Ordem Nacional do Mérito.

Concedido anualmente pelo USGS, o prêmio William T. Pecora é um reconhecimento a cientistas ou grupos que fizeram contribuições de destaque ao uso de satélites de observação da terra para melhor conhecimento de nosso planeta. Esta é a primeira vez que o “Pecora Award” é concedido a um cientista fora dos Estados Unidos.

O prêmio tem sido concedido desde 1974 em memória do Dr. William T. Pecora, diretor do USGS de 1965 a 1971 e responsável pelo Programa Landsat, cujos satélites registram as transformações do ambiente terrestre há quatro décadas. Mais informações na página http://remotesensing.usgs.gov/pecora.php

Os dois prêmios devem-se à atuação do cientista na disseminação do uso de dados de observação da Terra e ferramentas de geoinformação. Hoje, o INPE é líder mundial em distribuição gratuita de dados de satélites como CBERS e Landsat. Ainda desenvolveu um software livre para geoinformática de grande alcance nacional e internacional e mantém um curso de pós-graduação em Sensoriamento Remoto reconhecido com a nota máxima (conceito 7) pela CAPES. Os cientistas do INPE também criaram um sistema de monitoramento ambiental da Amazônia, que permitiu ao Brasil reduzir o desmatamento de 27.000 km² para 6.000 km², e é considerado modelo para o mundo pelas revistas Science e Nature.

E dando sequência ao sucesso na área ambiental, o INPE lança a ferramenta TerraMA2, destinada a monitor e analisar os desastres naturais. Essa plataforma computacional está aberta a qualquer um que esteja interessado em desenvolver seu próprio sistema de riscos ambientais. Com o TerraMA2, é possível monitorar qualquer ocorrência a partir de informações disponíveis na internet, dados de satélites e radares meteorológicos, modelos numéricos, plataformas de coleta de dados, sondas, boias, estações e instrumentos geotécnicos.

O usuário pode acompanhar desde incêndios florestais, deslizamentos, enchentes e estiagens, até interrupções na rede de energia por raios e movimentos de marés com ressacas em regiões portuárias, entre outras situações de risco.

A possibilidade de reunir diferentes bases de informações permite que o TerraMA2 seja usado como plataforma para o monitoramento de ocorrências de vários tipos, como abalos sísmicos, descargas elétricas e até epidemias e homicídios. Ferramenta útil para instituições públicas ou privadas. A plataforma está disponível na página www.dpi.inpe.br/terrama2

*Mario Eugenio Saturno (mariosaturno.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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