Ainda impera a falta de bom senso

Das redes sociais à imprensa, passando pelas conversas de bares vê-se que as pessoas estão comentando sobre os candidatos para as próximas eleições de outubro deste ano 2012. O mais enfático tema é sobre os cargos majoritários, quando serão eleitos os prefeitos de cerca de 5.565 municípios brasileiros, alguns com uma população e extensão territorial maior que vários países (São Paulo, por exemplo, apresenta cerca de 11 milhões de habitantes, enquanto Altamira - PA chega a ser duas vezes maior que Portugal). No Pará, são 144 municípios.

Os comentários a que tenho tido acesso tratam mais de nomes, não de planos de governo ou de motivações republicanas para a competição que visem esta ou aquela política necessária à localidade de onde são originários. Ou seja, emerge o clássico personalismo na política tão denunciado pelos cientistas políticos como inerente ao nosso sistema. Trata-se de referências sobre quem está ou não no jogo pesado do recrutamento (pessoal ou partidário) ou quem tem mais chances, considerando não só o partido como os recursos de capital político disseminados em um anterior mandato ou em carreira de líder já consolidada, para os que pretendem reeleição, e/ou a de aspirantes ao cargo mantendo aproximação com certo chefe político estadual ou federal, com isso garantindo o respaldo nominal na alavancagem dos votos necessários para a vitória.

Não vejo, contudo, nenhuma menção em torno de candidaturas parlamentares, ou seja, sobre os filiados partidários interessados nos cargos de vereador. Considerando essa preocupação maior nos comentários sobre o cargo majoritário do que sobre o da representação parlamentar lembrei que deveríamos refletir sobre o que nos leva a isso. É porque supomos o poder do prefeito maior do que o de um vereador? Ou nossas demandas pelos benefícios à cidade em que vivemos são pensadas mais nas atribuições ao primeiro do que nas do segundo? Mas é a díade que governa não um só.

Aqui no Paraná, 17 municípios, entre eles Boa Esperança do Iguaçu, Pinhal de São Bento e Marmeleiro, que tiveram o bom senso de fazer candidatura única para o bem do município. Isso prova que ainda tem legendas e políticos que pensam no bem estar da população e optam por união e não disputa. Lamentável é ver municípios como Manfrinópolis, Santa Izabel do Oeste, Ampére, Salto do Lontra, Nova Esperança do Sudoeste e Nova Prata do Iguaçu optarem por 3 a 4 candidatos na disputa para prefeito, no caso de Manfrinóplois, uma disputa num município com 2.924 eleitores.

Sem falar nos candidatos a vereador, mais uma vez o bom senso foge e cada município tem em torno de 20 a 50 candidatos. Isso sem contar com aqueles que são profissionais e querem se reeleger de novo, sendo que não fizeram nada que fosse aproveitável para o município. Se cada município entrasse num consenso e escolhesse os melhores para serem eleitos pelo voto, tudo seria mais fácil e mais viável. Assim, o eleitor acaba escolhendo por simpatia ou por compra de voto e coloca lá na prefeitura ou no legislativo aquele que apenas quer se dar bem. Eleição é coisa séria e nosso voto é a arma para acabar com os Demóstenes da vida.

Dia 07 de outubro a esperança de muitos municípios depende da nossa capacidade de escolher os bons e bem mais preparados para nos governar. Não venda seu voto, por que depois você não terá moral de cobrar qualquer atitude deles, por que na realidade você fará parte das falcatruas em que eles se meteram. Vote no certo, vote no menos falastrão, vote com a razão e não com o coração, só assim você poderá andar de cabeça erguida, ciente que cumpriu o dever de cidadão.

*Vilmar Bitencourt – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - Redator e Escritor – Planalto - Pr

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