Os dois lados da moeda

Confrontos de ideias públicas sempre causam alvoroço. Nos dias 29 e 30 de julho acontecerá o primeiro vestibular do curso de medicina da Unioeste campus de Francisco Beltrão. A aprovação do curso vinha sendo pleiteada há muito tempo por uma maioria que o vê como fonte límpida para a “lavagem” de problemas regionais, tais quais a falta de médicos e a necessidade de um grande centro de saúde. Um dos empecilhos, talvez o maior de todos, tratava-se da necessidade de um espaço adequado às exigências da academia médica, tendo em vista que o Campus de Francisco Beltrão da Unioeste já possuía cursos importantes e que esses cursos necessitavam dos ajustes constantes, direcionar uma quantia maciça de dinheiro destinado a preparação do “terreno” para os acadêmicos tratava-se de uma árdua tarefa. Em meio à euforia dos vestibulandos de medicina e dos apoiadores do projeto, surgem os “Anti-heróis” que, basicamente, defendem duas ideias: “Não estão sucateando o ensino abrindo cursos sem “firmes estruturas”?” e “Por que o dinheiro não foi investido na melhoria dos cursos já existentes?”. 

A proporção “Candidato/Vaga” é atípica. São quase cinco mil inscrições, cinco mil que batalharão por uma das, tão sonhadas, quarenta vagas do curso, por consequência, levando em consideração que pelo menos ¼ dos inscritos seja de regiões mais distantes, em que compense alojar-se em Beltrão, e que desses ¼, ½ traga um acompanhante, serão mais de cinco mil pessoas “sobrando” na cidade, consumindo, conhecendo, idealizando investimentos... Com o passar dos tempos, a cidade receberá em massa vestibulandos que se prepararão para o vestibular em terras beltronenses. Os Cursinhos aumentarão sua renda, pagarão mais impostos; esses futuros calouros deverão ficar em algum lugar, alimentar-se em algum lugar... A cadeia de relações é enorme! Contudo, parece que a euforia dos aspirantes a “BIXO” afetou também os donos de imóveis, logo que, esses aumentaram significativamente seus aluguéis; lotes foram extremamente valorizados; cada cidadão beltronense pensa: Como estará o trânsito nos dias do vestibular? 

O polo regional de saúde que se formará vai tornar-se referência. A região sudoeste realmente necessitava de um grande centro de atendimento médico; apesar das cidades de Francisco Beltrão e Pato Branco serem referências em alguns tratamentos específicos, o ambiente proporcionado pelas pesquisas universitárias, pela inovação de tratamentos médicos, trará evoluções resplendorosas no atendimento ao povo sudoestino. Além disso, a necessidade de médicos será suprida em pouco tempo; levando em consideração que a maioria dos vestibulandos da região dará como preferência o campus de Francisco Beltrão, depois de formados esses acadêmicos desejarão voltar a suas cidades, em alguns anos teremos um dos grandes problemas dos hospitais públicos resolvido. 

Toda espécie necessita seu habitat adequado para sobreviver.  Das coisas que me lembro do cursinho, parece-me soar como ontem esses dizeres.  Criar o habitat para acadêmicos de um curso da saúde não é algo tão simples como parece a uma grande maioria. São necessárias muitas horas de trabalho organizando o material adquirido, sem contar na dificuldade em conseguir material de estudo para anatomia, por exemplo. Os investimentos realizados para a construção do hospital regional e das salas e laboratórios para o curso médico, são essenciais para a garantia da boa formação dos futuros profissionais que cuidarão das famílias do Sudoeste. Não há como preparar um médico sem deixá-lo praticar a medicina, na minha tão humilde opinião, aprende-se muito mais na prática do que na teoria. A teoria é necessária para o sucesso da prática, contudo, a “noção” prática parece auxiliar o entendimento teórico. Sendo assim, laboratórios e demais “apetrechos” são mais do que necessários e gastos com eles são perfeitamente compreensíveis.

Toda moeda tem sua Cara e sua Coroa. Pensar a abertura do curso de Medicina no Campus de Francisco Beltrão da Unioeste tão somente como uma forma fácil de resolver grandes problemas do ensino superior é desconhecer a realidade regional. Todo investimento em educação, seja em ensino fundamental ou superior, é válido! Não se pode agradar a todos, não há como atender a todas as vontades ao mesmo tempo. Tanto os acadêmicos que reivindicam seu Restaurante Universitário a mais tempo do que os futuros calouros de medicina estão certos em seus pontos de vista, por conta disso, ambos devem ser ouvidos e analisados, assim como tem sido feito pela equipe da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Devem ser construídos laboratórios aptos às necessidades do curso, fornecidos os materiais necessários ao estudo eficiente da ciência médica; a única coisa que não deve ocorrer é a sucateação do ensino. Deve ser dada igual atenção a todos os cursos do campus, o que não pode  ocorrer é o exílio do novo. É necessário que tudo seja feito com a mesma atenção que se veio tendo até então, caso contrário o sonho da medicina de tantos vai virar o pesadelo de muitos mais. 

A todos que prestarão o vestibular, boa sorte! 

 

Alencar Junior Proença, 18 Anos, Acadêmico do 2º Período de Medicina.   Twitter: @AlencarJrP
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