Por que tão poucas medalhas?

Temos no Brasil um grave problema que deixamos simplesmente encravar em nosso cotidiano: o esquecimento da meritocracia. Quando vemos nossas poucas medalhas nas Olimpíadas de Londres, nos questionamos o porquê e começamos a rever que pequenos conceitos são básicos para futuros resultados.

Vejamos, por exemplo, o que fazemos com as crianças de hoje: muitas famílias brasileiras acham que é demais elas estudarem o dia todo. Enquanto isso, em outras partes do mundo, crianças e adolescentes permanecem na escola o dia todo, onde são cobradas por exímios resultados tanto pedagógico como esportivo.

Vejamos o que ocorre com uma família brasileira que resolve apostar na paixão do filho por um esporte. Ela inscreve a criança seis dias por semana, quatro horas por dia para se dedicar a esta paixão, a este objetivo de vida. De que forma a sociedade julga uma família assim? A considera maluca, exagerada por fazer o filho sofrer, por conta de ter que treinar tanto tempo. Mas precisamos lembrar que para ter um ótimo atleta o mínimo a se fazer é possibilitar a ele treinar muito, todos os dias e por várias horas.

Mas onde fica a meritocracia num país onde não somos valorizados ou estimulados? Como é possível ter bons resultados em Olimpíadas se somos advindos de um país onde o governo nos subsidia com vale-gás, vale-presença em escola, vale-presença em creche, vale-refeição? Em uma cultura onde vale tudo menos o esforço o que deveria existir era um vale-disciplina, bom caráter, conduta positiva.

Culpar os atletas brasileiros que estiveram em Londres e não venceram é uma defesa miserável de todo um povo que não grita pelos seus direitos de cidadão e não se esforça para fazer a diferença. Vale refletir onde vamos parar com tudo isso. Uma educação falsa de valores, uma escola vazia de conteúdos, uma família perdida em seus conceitos, e consequentemente um povo sem afeto, sem objetivo, sem educação e sem disciplina.

*Esther Cristina Pereira – diretora da Escola Atuação e diretora do Ensino Fundamental do Sinepe/PR.

Ler 1548 vezes
Entre para postar comentários
Top