O PAC da privatização

O governo Dilma anunciou o “PAC das concessões”. Esse "PAC" deveria ser chamado - se houvesse mais honestidade - de “PAC da privatização”. Ocorre que o governo do PT não pode chamá-lo assim porque ganhou muitas eleições atacando os adversários de tramarem a privatização. Como poderia, agora, com aquela pose de partido salvador do mundo, anunciar que vai privatizar para redimir o Brasil?

O fato é que o dirigismo e o voluntarismo econômico da presidente e de seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, soçobraram quando confrontados com um mundo em crise, depois dos quase oito anos com a economia com vento em popa desfrutados por Lula, o sortudo.

Até quando faz a coisa certa, o governo do PT age pelo motivo errado. Dilma e Mantega não largaram de mão do dirigismo econômico por terem se convertido às virtudes do livre mercado. Entraram nessa porque fracassaram os nove pacotes de estímulo à economia tocados a golpes de renúncia fiscal e injeções de dinheiro subsidiado do BNDES.

O novo “PAC” será um pacote de privatizações de estradas, ferrovias, aeroportos e de mudança na regulação dos portos. É um passo na direção certa, sem dúvida, mas padece de uma visível improvisação, e só acontece depois que o governo parece ter, finalmente, se convencido que economia não vai se dobrar aos pitos da presidente nem à ideologia do PT ou aos pacotes pirotécnicos do ministro da Fazenda.

Além da economia claudicante, o governo tem para espicaçá-lo o fato que a Copa do Mundo se aproxima e qualquer um vê que, nesse ritmo, não existirão nem aeroportos nem infraestrutura para receber os turistas. O espectro de um indesejável “PAC do fiasco” ronda o governo Dilma.

O apagão gerencial que atingiu o governo Dilma é inegável. O governo não revela capacidade para elaborar projetos ou para fazer investimentos. O apelo ao recurso da privatização, devidamente rebatizada, apesar de bem-vindo, é, infelizmente, mais um sinal de desespero do que de bom senso.

O otimismo com essa iniciativa do governo Dilma não é prudente, dados os antecedentes. Rodovias licitadas em 2007 só tiveram contratos assinados em 2008. Nenhuma obra dos pacotes de "concessões" anteriores vai cumprir seu cronograma. Muitas delas não saíram ainda do papel.

O governo apela para as privatizações até para tentar demonstrar que o mito da grande gerente, construído em torno de Dilma na eleição de 2010, não é mais um estelionato eleitoral. De tudo isso, o que existe de positivo é o fato que o governo faz, finalmente, um movimento em direção ao caminho certo. Se vai funcionar é outra conversa. E já há um fato negativo: não dar a devida atenção ao Paraná, deixando de lado projetos importantes de infraestrutura para o Estado.

É mau sinal que, já no lançamento do programa, boa parte das energias da presidente e de seu ministro tenham sido dissipada na tentativa, fracassada, de negar que as concessões sejam uma privatização.

*Ademar Traiano é deputado pelo PSDB do Paraná e líder do governo na Assembleia Legislativa.

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