Fiscalização já!

Usuário que sou de duas das mais perigosas estradas de São Paulo, faz- me testemunha de graves acidentes.

Mariano preguiçoso que sou, até voltei a rezar o Terço todo dia, invocando proteção de Maria, São Cristóvão, São João (discípulo que Jesus amava), Santa... Porém, recentemente, tornei- me vítima de um motoqueiro, que trafegando totalmente irregular, na contra-mão e com pneu careca, colidiu no meu carro. O juiz alertou que não se pode mover os veículos até a chegada da Polícia, que continua com a função de fazer o registro. No Estado São Paulo, a Polícia criou o hábito de não fazer isso no caso de não se ter vítima. Mas não foi o que o doutor juiz de São Sebastião afirmou.

Esse meu infortúnio não geraria nada se o motoqueiro não fosse um policial militar de folga. Não apareceu nenhum policial por mais de uma hora (esperavam que eu abandonasse o local?), não quiseram registrar o pneu careca do colega e mesmo na Policia Civil tive que discutir para registrar minha versão. O melhor de tudo foi a defesa do policial, coisa de coitadinho que se traumatiza facilmente. Fico imaginando, os bandidos do PCC quando vêm ao litoral, esse policial deve ficar muito traumatizado...

Mas por que fico irritado? Porque os motoqueiros fazem o que querem por falta de fiscalização. As autoridades são omissas. E na que depende da PM, não confio mais por ver com meus próprios olhos. E o que essa omissão está causando?

Os casos de invalidez permanente entre vítimas de acidentes de trânsito quintuplicaram de 2005 e 2010, eram 31 mil, agora são 152 mil por ano. E no ano passado foi um desastre, a estatística parcial mostra que nos primeiros nove meses aumentou 52%, saltando para 166 mil. E, adivinhem, em mais de 70% dos casos, o acidentado usava moto e tinha de 18 a 44 anos. A questão é que o número de acidentes envolvendo carros, bicicletas e pedestres caíram. Não é uma perda somente para a família, mas para a Nação. Especialmente para o INSS, claro, já que são aposentados por invalidez. Estima-se que o INSS gastou R$ 8,6 bilhões por causa dos acidentes de trânsito. Esse montante representa 3,1% das despesas previdenciárias.

E o que mais cresce no país? As vendas de motos que quase triplicaram entre 2001 e 2011, sendo que somente no ano passado foram vendidas quase dois milhões. Para se ter uma ideia, as vendas de carros atingiram 2,65 milhões de unidades, pouco mais que o dobro das de 2001.

Em São Sebastião vi algo interessante, duas placas acabaram com dois tipos de infrações. Uma placa colocada na ciclovia alertava que a multa por transitar ali custava ao motorista infrator R$ 574,62. Resultado? Pararam de invadir a ciclovia! Outra placa, na entrada da cidade dizia que era proibido ultrapassar pela direita e que a fiscalização é por câmara. Resultado? Está claro, né?

Ao contrário do que possa parecer, o governo federal não tem tanta culpa, já que a fiscalização é por conta dos municípios. E essa fiscalização é fácil, basta usar as câmaras já instaladas, um desempregado (ficará feliz por ter um ganha-pão e custará somente quatro multas) que saiba ler as placas das motos e imprimir as imagens como prova. Em uma semana acabam-se as ultrapassagens ilegais e perigosas entre outras infrações. Em outras palavras, vontade política para acabar com as mortes no trânsito.

*Mario Eugenio Saturno (mariosaturno.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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