Crianças indígenas são ofendidas  e expulsas da sala de aula
Direitos humanos são sumariamente desrespeitados em escola do MS, onde crianças indígenas foram chamadas de “fedidas” e expulsas da aula. Foto: Ruy Sposati

Fonte: Pragmatismo Político

 

Cerca de 28 estudantes indígenas Kaiowá e Guarani da aldeia Campestre foram expulsos da sala de aula pelo diretor do colégio, pressionado por professores e estudantes não-indígenas, após terem sido chamados de “sujos” e “fedidos”.

O abuso ocorreu na turma de primeiro ano do ensino médio matutino da Escola Estadual Pantaleão Coelho Xavier, em Antônio João (MS). 

 

A denúncia foi realizada pelo conselho do Aty Guasu, grande assembleia Guarani e Kaiowá do Mato Grosso do Sul, no último dia 12/03/13, no Ministério Público Federal do Estado, em Dourados. De acordo com a denúncia, o diretor colocou o grupo do lado de fora da sala de aula, enquanto o professor continuou dando aula para os não-indígenas. “Disseram pros nossos estudantes que eles não deveriam estudar ali”, conta a liderança da aldeia, Joel Aquino. “Disseram aos nossos jovens que, se eles continuassem estudando o ano todo, iam encher a sala e escola de terra, porque somos sujos e temos ‘pés sujos’. E ‘chulé’, que as indígenas femininas têm aquele cheiro forte de mulher”, diz Joel.

 

Quando voltaram à aldeia, os estudantes relataram à comunidade o que havia acontecido. Joel conta que ele próprio e outra liderança da aldeia, em momentos diferentes, foram pessoalmente falar com o diretor da escola, que confirmou ter expulsado os jovens da aula por considerar que eles não eram higiênicos o suficiente.

 

“Depois disso, nossos estudantes não querem mais frequentar a escola por motivo de vergonha, tamanha a situação humilhante que passaram”. Segundo Joel, apenas três deles resolveram continuar frequentando as aulas na escola estadual. “O resto está perdendo aula, decidiram que não vão [para a escola]. Os três que estão indo disseram que o diretor decidiu que eles podem voltar pra sala de aula, porque são poucos. Mas que se voltar a ir todo mundo, eles não vão poder ficar na sala”.

 

Além do MPF, os relatos também foram encaminhados à Fundação Nacional do Índio (Funai) e a representantes da Secretaria de Direitos Humanos.

 

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