O pronunciamento da Dilma

O Brasil acordou? Eu esperei que a presidente dissesse humildemente que errou, que a força das ruas a fez acordar para uma nova tomada de posição não ao lado do povo, mas sim junto.


Esperava ouvir que convocou uma reunião para (ontem) com todos os ministérios para avaliar os que permaneceriam por serem necessários de fato e anunciasse a extinção da maioria inútil. Uma reunião com as casas legislativas (Cãmara e Senado) para entendimentos e apoio à essa nova política de ações conjuntas e tendo como 1º ato desengavetar Projeto de Lei tornando a corrupção crime hediondo e para alguns específicos (saúde, educação), crime de genocídio uma vez que extermina milhares de vidas.Temos sim deputados e senadores bons, honestos e projetos engavetados, sem número que teriam feito o país avançar se os presidentes das casas não barrasem a votação, comandados pelo executivo. Infelizmente esse governo escolheu de que lado ficar. Preferiu fazer alianças com os partidos que condenava antes e tornaram as duas casas apenas uma chancelaria dos seus atos, na maioria através de Medidas Provisórias que a cada votação tem um custo político que depois é repassado à sociedade.

 

Os cargos de "confiança" proliferam escandalosamente e nem sua arrogância é capaz de por um freio. A "herança maldita” que herdou gera dividendos cada vez mais pesados para os brasileiros. Sindicatos, Movimentos Sociais etc. cooptados perderam totalmente a dignidade e não mais representam essas populações que viraram massa de manobra tornando este país uma grande "ONG” desvirtuada com fins lucrativos para alguns. Não sou neoliberal, não sou socialista e nem comunista. Sou apenas um cidadão brasileiro que resguardou os valores e o amor à pátria mãe que não mais é gentil nem está deitada em berço esplêndido graças ao cinismo que lhe deu um daqueles abraços de urso que é difícil de soltar. Saltou aos olhos que as manifestações iniciaram com uma maioria de classe média que nem utiliza transporte coletivo, mas que usou os 0,20 centavos para gritar sua indignação contra todo mar de lama e o descaso deste governo com "toda” população independente de classe social ou racial. Está tão entranhado esse sentimento de esquerda e direita que cega e enlouquece as pessoas que a violência vista não surpreende. Um não vive sem o outro.Todo sistema que radicaliza para um só lado é ditador.Todo sistema que toma o rumo de livrar-se de todos os valores a titulo de preconceito emburrece, todo sistema que impõe seu pensamento como única verdade destrói a humanidade como já se viu no passado no mundo inteiro.

 

A retórica é sempre melhor para atingir-se o equilíbrio. A impunidade geral para os que roubam e a absolvição para los hermanos que roubam também, mas são vistos apenas como "mal feitos” desacreditou a sociedade. Não me impressiono com pesquisas de popularidade porque esses Institutos também são manipulados por quem dá mais. Aliás, seria um grande bem que não mais existissem para induzir a política como se fosse um jogo de loteria. Campanhas partidárias semelhantes à uma propaganda de produtos já extrapolaram todos os limites. Não servem de base para que o brasileiro avalie a criatura que pleiteia cargos públicos. São apenas personagens de um filme de mau gosto. Uma mídia "democraticamente” amordaçada em determinados comentários também não serve mais. Não existe meia democracia, na informação correta, aprofundada com conhecimento de fato daquilo que se está abordando. Quando se educa um filho não se diz a ele que em casa você pode mandar mamãe calar a boca, mas quando tiver pessoas por perto olhando, ouvindo não. Enfim, minhas esperanças de que Dilma tivesse tomado uma decisão de libertar-se das amarras do PT, PMDB e demais nanicos e governasse do seu jeito o que poderia aí sim fazer dela uma estadista acabaram com seu pronunciamento. E não posso encerrar sem dar uma resposta aos que novamente se arvoraram em lutadores e pais da Democracia na época da ditadura sem dizer-lhes que estão sendo regiamente pagos com nosso dinheiro com indenizações fartas com raríssimas exceções. Quando a Alemanha decidiu indenizar os judeus que tiveram suas famílias dizimadas no HOLOCAUSTO, tenho muito orgulho de dizer que NENHUM judeu aceitou porque o genocídio de 6 milhões de pessoas não pode ser amenizado com dinheiro. A luta pelo bem do povo não pode ser precificada pois perde a dignidade do ato praticado voluntariamente.

 

Vilmar Bitencourt

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Cidadão do mundo

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