Tempo e eternidade
Foto: Divulgação

Por Douglas Meneghatti 

Pessoas acordam cedo para chegar antes nas filas dos hospitais.


Andam em alta velocidade para encurtar distâncias.  Irritam-se com o trânsito lento. Reclamam porque é domingo e a segunda está próxima, ou, porque é segunda e o domingo está distante. Contam os dias para chegar às férias do trabalho e quando elas chegam, por vezes, sentem a sensação de que o tempo acelera. Esperam ansiosamente pela formatura da faculdade, e quando começam trabalhar sentem saudade do tempo em que a vida era voltada somente para os estudos.

 

O tempo é algo, ao mesmo tempo, presente e inexplicável. Por ora, daríamos tudo por uma nova oportunidade, em outros casos, sequer gostaríamos de pensar naquilo que passou. Vivemos momentos realmente agradáveis que simplesmente passam e nunca mais retornam, mas também sofremos com situações indecorosas que insistem em continuar presente em nossas vidas.

 

Não podemos negar que as coisas acontecem numa determinada fração de tempo, o curioso é que, em algumas situações, o tempo parece voar e, em outras, o tic tac é vagaroso, angustiante, dando a impressão de que o tempo simplesmente parou. Causa de depressão para alguns e da mais extasiante alegria para outros. Intenso, tênue, finito, infinito. Como pensar a duração das coisas? Existe um fluxo contínuo que a todos modifica e que não é modificado por nada e por ninguém? O tempo realmente existe? Ou melhor: o que é existir realmente?

 

Bom, através dos ponteiros de nosso relógio, demarcamos o tempo em frações que se dividem em segundos, minutos, semanas, meses, anos e por aí vai. Acreditamos que podemos medir o tempo com o movimento, sim, o movimento dos ponteiros indica a fração temporal em que estamos. Pensando nisso, Aristóteles definiu o tempo como: “a medida do movimento segundo o antes e o depois”. Ora, posso medir o metro com a palma da mão e, também, medir a palma da mão com o metro, para dizer, que o tempo é medido pelo movimento, assim como, o movimento é medido pelo tempo.

 

Uhm! Então tempo e movimento se equivalem, pois a existência de um implica a existência do outro. Faz sentido! Pensemos, por exemplo, na própria vida: viver implica um movimento que vai desde o momento da concepção até a morte (sem entrar na discussão do momento exato da concepção), a esse movimento chamamos tempo, o tempo de nossa vida. A morte cessa o movimento e, portanto, cessa o tempo. Pensando assim, somos levados a admitir que o tempo é físico, sem margem para uma existência absoluta ou psíquica. E quanto aos momentos prazerosos que voam e os dolorosos que engatinham? Por ora, digo que são apenas subjetivos - fazem parte do meu sentimento para com o mundo e com os outros seres -, ou seja, a percepção do tempo é diferente da efetividade do movimento, ou, como queiram, do tempo.

 

E quanto à ideia de que o tempo é absoluto?! Isto é, possui uma existência objetiva que independe do movimento dos seres e das coisas. A resposta é estritamente delicada e já rendeu centenas de livros com as mais diversas teorias. O que posso dizer, laconicamente, é: tempo absoluto é o mesmo que eternidade, e eternidade não compreende início ou fim. Eterno é aquilo que existe desde sempre, que não tem causa e, portanto, não sofre os efeitos do tempo ou do movimento. Por isso, tempo implica mudança, e eternidade, permanência. Nas categorias do tempo podemos acrescentar qualidade, quantidade, lugar e assim sucessivamente, porém, no que tange à eternidade nada se pode acrescer, pois permanece sempre a mesma. No âmbito religioso: Deus coincide com a eternidade e o tempo (movimento) é criação divina.

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