Sudoeste inicia planejamento para produção de oleaginosas
Organizações da agricultura familiar do Sudoeste do Paraná realizaram dia 10 de junho, no auditório da Central Cresol Baser, em Francisco Beltrão, a primeira reunião técnica para planejar a produção de oleaginosas para óleos vegetais e farelo de girassol.
Até então, as entidades ligadas aos agricultores familiares haviam realizado dois seminários para poder definir esse empreendimento e conhecer as experiências já realizadas em outras regiões. A proposta inicial do grupo prevê o envolvimento de 450 famílias na produção, distribuídas em 30 municípios do Sudoeste. Cada família deverá destinar de 1 a 1,5 hectares (ha) em sua propriedade para esse fim e isso equivalerá, inicialmente, a cerca de 600 ha de área plantada. A idéia é produzir, nesse espaço, aproximadamente 15 mil sacas ou 900 mil quilos de oleaginosas. Em média, tal produção deve resultar em cerca de 378 mil litros de óleo vegetal e 522 mil quilos farelo de girassol, pois estimativas baseadas em pesquisas nesta área dão conta de que, de mil quilos de oleaginosas, 42% resulte em óleo (isso depende de cada variedade de planta) e 58%, em farelo de girassol. “Estamos propondo, para essa fase experimental, uma iniciativa que não acarrete em grandes riscos para o produtor. Depois de plantar o girassol, por exemplo, que tem ciclo de 85 a 90 dias, a família vai poder entrar com o milho na mesma área”, diz o coordenador da Coopafi, José Carlos Farias. Até o final de 2006, dentro do ciclo do girassol, o grupo pretende estar colhendo as primeiras sacas de oleaginosa para a produção de óleos vegetais e farelo. Parcerias A Gebana Brasil, indústria suíça de produção e beneficiamento de soja orgânica, que tem escritório em Capanema, já manifestou interesse em firmar parceria com as entidades da agricultura familiar para absorver parte da produção de girassol orgânico. O grupo do Sudoeste vê na produção orgânica, entre outras coisas, uma forma de valorizar mais os produtos derivados da fabricação do óleo e a oportunidade de abertura de mercados mais exigentes: “com a produção convencional, ficamos limitados ao mercado tradicional, regulado unicamente pelo sobe e desce dos preços e pela força do lucro”, afirma Farias. O projeto vai demandar a compra de três mil quilos de sementes, que deverão ser importadas de São Paulo ou Goiás, o que ainda se encontra em fase de negociação. Participam do arranjo inicial desse projeto as cooperativas de comercialização da agricultura familiar integrada do Sudoeste (Coopafi’s), que cuidarão de todo o processo comercial envolvido, a Cooperiguaçu, responsável pelo acompanhamento técnico, a Central Cresol Baser, para a busca do crédito e do financiamento das ações, e as cooperativas de leite da agricultura familiar (Claf’s), cujos produtores devem adquirir o farelo de girassol, que tem alto valor protéico, para a ração animal.
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