Drogas psicodélicas não causam problemas mentais

De acordo com neurocientistas há até uma relação entre o uso dessas substâncias e uma menor ocorrência de doenças mentais.

 

 

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Neurociência da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia afirma que não há relação entre o uso de ácido e outras drogas psicoativas com doenças mentais como depressão e psicose. Aliás, segundo a mesma pesquisa polêmica, as substâncias podem até estar associadas a uma melhor saúde mental - embora, para provar a relação, outros estudos devam ser feitos.

 

Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram dados obtidos por uma pesquisa nacional de uso de drogas feita nos EUA. Mais de 13% dos mais de 130 mil participantes escolhidos de forma aleatória afirmaram terem usado drogas psicoativas como LSD, mescalina e psilocibina pelo menos uma vez em suas vidas. E essas pessoas não apresentavam maiores ocorrências de doenças mentais.

 

Os usuários, em sua maioria, eram jovens, homens e solteiros. Além das drogas citadas acima eles tinham maiores chances de terem usado outras substâncias ilícitas e diziam gostar de correr riscos. Mas as taxas de depressão, ansiedade e psicose não eram maiores entre essas pessoas do que entre o resto dos entrevistados, sugerindo que as drogas psicoativas não têm um papel significativo no desenvolvimento desses distúrbios. Ao mesmo tempo, o estudo também não descobriu evidências de flashbacks ou alucinações causados pelo uso do LSD.

 

Os cientistas, aliás, afirmam ter encontrado associações entre o uso das substâncias e uma taxa reduzida de problemas mentais e tratamentos médicos. Mas antes de acreditar que o LSD pode prevenir doenças mentais, cuidado: as relações eram estatisticamente fracas e, como se tratava de uma pesquisa retrospectiva fora de ambiente controlado, não há como determinar se a saúde mental tinha uma relação direta com as drogas. Também não é possível descartar que, para alguns indivíduos ou grupos, o uso de psicodélicos pode ter efeitos negativos. Tudo o que o estudo apresenta são números generalizados.

 

Segundo um dos autores do estudo, Pål-Ørjan Johansen, os psicoativos são, geralmente, considerados de baixo risco para o indivíduo e para a sociedade. "Psicoativos podem causar temporariamente a ansiedade e confusão, mas acidentes que levem a danos permanentes são extremamente raros", afirma.

 

O estudo foi publicado na PLOS One.

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