Pessoas investigadas no caso Celso Daniel foram levadas à ante-sala de Lula
Bruno Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, disse à CPI dos Bingos que Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levava dinheiro desviado da prefeitura da cidade para José Dirceu, então presidente do PT.
O cientista político Carlos Pio, professor da Universidade de Brasília, disse que a história aproxima a crise do Palácio do Planalto. "Isso (assassinato de Celso Daniel) aconteceu antes da eleição de Lula. O grave é que as pessoas que desde o início do processo de apuração estavam sendo investigadas foram promovidas a essas posições tão significativas (como chefe de gabinete e ministro da Casa Civil). Não apenas Gilberto Carvalho é chefe de gabinete de Lula, mas a ex-mulher de Celso Daniel (que já era ex-mulher quando ele morreu) também é muito próxima ao presidente." Para ele, só há duas explicações possíveis. "Das duas, uma: ou é tudo uma grande armação dos irmãos de Celso Daniel, eles são loucos, ou a equipe que cerca o presidente, e ele próprio, são de uma ingenuidade e irresponsabilidade brutais. Porque mesmo sendo pessoas que estavam sob investigação - no mínimo acusadas de corrupção, podendo até chegar no crime de queima de arquivo -, foram levadas à ante-sala do presidente da República." O professor também falou sobre o fato de Celso Daniel saber do esquema. "A idéia é de que o prefeito não era contra a corrupção, ele sabia e deixava rolar, mas foi contra quando soube que os políticos se desviaram do propósito para fins particulares e não partidários. Aí teria iniciado uma discussão para interromper o esquema”. Carlos Pio explicou: "É a lógica do militante de uma ideologia autoritária, como acontecia com os militantes de esquerda nos anos 60. Muitos receberam dinheiro de partidos comunistas para espalhar a revolução pelo mundo. É a ética dos revolucionários, a ética dos fins. Isso está muito claro neste caso." Cassações A Corregedoria da Câmara já se decidiu sobre os processos de cassação de 13 deputados acusados de roubar dinheiro público ou de partidos e/ou subornar outros deputados para "convencê-los" a votar a favor de medidas propostas pelo governo do PT (a soma de cassáveis soma 16, mas três já estão com processo aberto no Conselho de Ética). Numa votação bem apertada (três a dois o placar final) a Corregedoria optou por sugerir a abertura de processo contra todos. Agora, está nas mãos dos sete deputados da mesa diretora (presidente Aldo Rebelo e vice José Thomaz Nonô inclusive), além do próprio corregedor Ciro Nogueira, a decisão de mandar ou não os processos para o Conselho de Ética. É ali que se decide se os colegas vão ou não ser submetidos à votação, em plenário, de perda dos mandatos e dos direitos políticos por oito anos. Para o professor Carlos Pio, a tendência é que todos os processos tenham continuidade. "É muito difícil haver uma decisão da mesa de não iniciar um processo no Conselho de Ética, na medida em que existem membros da mesa que foram claramente identificados como pessoas comprometidas com o andamento dos processos. O principal deles é o deputado Nonô, que é o vice-presidente." Segundo o cientista político, qualquer tentativa de "conchavo" pegaria muito mal para todos. "A mesa é composta por uma série de cargos. Normalmente são parlamentares que não são os mais vistos no Congresso, com exceção dos três principais, que são o presidente, o vice e o primeiro-secretário." Ele afirmou que nem Aldo Rebelo, nem Ciro Nogueira, que "teriam uma posição mais passível", devem escapar da pressão. "Eles estão muito constrangidos pelo fato de que qualquer reunião da mesa conta com a presença de figuras claramente identificadas com a oposição, como é o caso de José Thomaz Nonô. É difícil que haja uma discussão mais clara pelo não envio, à medida que chegaria rapidamente aos ouvidos da imprensa e da população de um modo geral." Pressão Carlos Pio lembrou que há "uma tentativa quase desesperada" do deputado José Dirceu de barrar o andamento de seu processo que já foi aberto no Conselho de Ética. "Ontem os advogados dele entraram com representação no Supremo para tentar retirar seu processo do conselho." Além do movimento do deputado petista, explicou o professor, há movimentos favoráveis também por outros cantos da Câmara. "Há dentro da mesa diretora e na corregedoria uma tentativa de excluir dois ou três parlamentares, contra os quais não haveria provas suficientes. Um deles é o ex-líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP). "O nome dele surgiu por causa de um saque de R$ 20 mil, que num primeiro momento ele disse que havia sido sacado por um homônimo, mas que depois admitiu que era um assessor." Segundo o professor, é muito importante que a pressão continue. "Eu diria que cada vez mais a pressão popular tem sido importante para que surjam restrições e constrangimentos a essas pessoas. Pessoas que têm tanto poder mesmo contrariando o desejo da maioria da casa e da população."
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