O ressentimento do mundo moderno
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Por Douglas Meneghatti

 

O núcleo pelo qual se fortalece a sociedade moderna se sustenta sob a efemeridade da aparência, que traz à tona a necessidade cada vez mais visível de uma beleza ideal, pela qual somos impelidos a acompanhar as tendências do mercado competitivo, que acaba por regular os padrões estéticos de nossa sociedade.

 

Somos enveredados por centenas de tendências, que se materializam na venda de automóveis, cosméticos, eletrônicos e demais aparelhos e técnicas que auxiliam para o deleite estético da personalidade humana. 

 

Que a aparência tomou o lugar da reflexão e da interioridade é indiscutível, porém me importa discutir quais são os efeitos da aparência sobre a nossa geração, para a qual as imagens agem como narcótico, seduzindo e impelindo-nos para o consumo. Sim, somos consumidores. Do que? Da subjetividade alheia, ou, em outras palavras, da “roça” do vizinho.

O show da vida alcançou patamares tão elevados que a minha subjetividade continua no centro, no entanto, o motivo pelo qual ela é destacada, ou regada – no caso da metáfora –, deixou de ser a minha auto-satisfação, isto é, o meu ego está em alta para os olhos dos outros.

É assim que o ressentimento entra na jogada. O que entendo por ressentimento? A busca por criar nos outros, a meu respeito, uma boa opinião que eu não tenho de mim mesmo, ou seja, depender da opinião e do gosto estético dos outros. Eis a imagem máxima do ressentimento, que encontra seus royalties no sucesso dos reality shows. 

Estar ressentido é deixar de viver por si mesmo, de satisfazer as próprias necessidades, vive-se num mundo aparente e ilusório marcado pela efemeridade da boa aparência sempre reluzente e comercializável. O que dizer disso? Bom, não precisamos enumerar os efeitos psicológicos do ressentimento, nem o vincular com o mal-estar social ou com a depressão, nos limitamos a dizer: ser ressentido é deixar-se guiar pelas mãos daquele ou daquilo que lhe arrastará até o surgimento de uma nova tendência ou de uma nova estação.

E depois? O amanhã? Os efeitos da liquidez e da efemeridade moderna não permitem previsibilidade.

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