Desejo e vaidade: tão distantes e tão próximos
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Por Douglas Meneghatti

 

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade diz o livro bíblico do Eclesiastes.

Cabelo, unhas, barba, pele, roupas, calçados, bolsas, relógios, celulares, centenas de acessórios e utensílios indispensáveis para nossas necessidades e para o bem estar pessoal. Até onde pode chegar a vaidade humana? Qual é a sua relação com o desejo?

Desejar é ansiar por algo que não possuímos, o desejo surge de uma carência, do sentimento de falta que nos impele para a busca de algo; é oriundo de uma necessidade, no entanto, a satisfação das necessidades não cessa o desejo, que nos acompanha desde o nascimento até a morte. O bebê deseja a sucção do leite materno, a mãe deseja o bem estar do filho e lhe protege e alimenta; o jovem deseja um bom emprego e as fábricas desejam um bom funcionário...

A princípio o desejo é o mais natural dos sentimentos humanos, pois não há ninguém capaz de viver ausente dos seus próprios desejos, no entanto,é algo dinâmico e sustenta como simulacro a insaciabilidade. Sim, desejar é sempre querer mais, não existe ponto de chegada, não existem alicerces, o anseio humano pela posse vai além dos limites da saciedade.

O auge, o sucesso, as conquistas, a riqueza são metas que conduzem a outras metas. Vencer é iniciar um novo caminho que conduzirá a novos desafios que resultarão em novas vitórias ou em inevitáveis derrotas. Por isso, é impossível pensar o desejo sem vinculá-lo com a vaidade, que surge como a criação de uma imagem que visa satisfazer o desejo próprio e também o desejo alheio. 

Unidos, desejo e vaidade, fazem do mundo contemporâneo um espetáculo de aparências, onde a reflexão e a interioridade já não fazem mais parte do cotidiano das pessoas. A ascensão da aparência é vislumbrada pelo sucesso do consumismo e dos reality shows, que são a expressão máxima de um tempo efêmero, em que os valores tradicionais cederam espaço para os modismos televisivos e de telemarketing, onde tudo é transitório, liquido, relativo... Como?! Você é conservador? Os tempos mudaram, ou então...

Para acabar é preferível não concluir, pois nosso desejo vai além de um final feliz ou de uma solução incompleta, por isso, deixo apenas uma citação de Lewis Carroll, que faz parte da brilhante obra Alice no país das maravilhas: “Agora aqui veja, é preciso correr o máximo que você puder para permanecer no mesmo lugar. Se quiser ir a algum outro lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais depressa que isso”.

 

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    Cleber Fernando Serafin – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

    Com a chegada da estação chuvosa, temos que nos preparar para enfrentar essa rotina de casacos, garoa, e passar o dia todo molhado. Mas os casacos impermeáveis, uma tendência moderna de roupas que voltam a sair dos armários com esta necessidade. E com eles, mais que um conforto, e sim uma comodidade que temos a agradecer ao desenvolvimento da química.

    Apesar de sua origem remonta pelo menos ao Século XIII, aos indígenas da América do sul que cobriam as roupas com látex para torná-los impermeáveis. A ideia foi importada pelos europeus, mas o sucesso não foi imediato: os primeiros impermeáveis eram pesados, desconfortavelmente rígidos e devido ao solvente utilizado para espalhar a cobertura do látex sobre os tecidos eram sobretudo, bastante mal cheirosos.

    Com o desenvolvimento da química de polímeros permitiu que os impermeáveis se fossem tornando cada vez mais leves, flexíveis e inodoros. Além da qualidade mais notável dos impermeáveis modernos é que também permitem a transpiração da pele, isto é, impedem a entrada da água da chuva, mas permitem a saída do vapor de água libertado pela transpiração.

    Mas como isso é feito. O efeito é obtido através da criação de estruturas com minúsculos poros, por onde as gotas de água não entram, mas as moléculas de vapor de água (isoladas) podem passar facilmente. Os modernos tecidos impermeáveis arejados são obtidos com duas camadas de polímeros de propriedades diferentes: uma primeira camada de um polímero microporoso hidrofóbico, ou seja, que repele a água; e uma camada de poliuretano, que fica virada para dentro – mais próxima da pele – que é hidrofílica, ou seja, atrai a água e absorve a humidade que se liberta da pele.

    Então entra em ação um pouco de termodinâmica: a diferença de temperatura entre o lado de dentro e o lado de fora cria as condições necessárias para que as moléculas de água absorvidas pelo poliuretano sejam empurradas para o exterior.

    Enfim, se você vestir um impermeável e se sentir como se estivesse numa sauna, então é porque ele ainda não está a tirar partido do desenvolvimento da química dos polímeros e provavelmente está com um tecido plástico de baixa qualidade.

    Professor do IFPR – CAPANEMA, Bacharel em FARMÁCIA E BIOQUÍMICA (UFMS), especialista em BIOQUÍMICA (UFMS), licenciado em QUÍMICA (FGF), mestre em ENGENHARIA AGRÍCOLA (UNIOESTE), mestre em CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS (UNIOESTE) e doutorando em ENGENHARIA AGRÍCOLA (UNIOESTE)

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