Segunda, 24 Março 2014 16:27

Crise na Petrobras

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Comissão aprova auditoria em compra de usinas pela Petrobras na região sul

 

Fonte: Estadão/Agência Estado

 

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão auxiliar do Legislativo, sobre a aquisição de 50% de participação em duas usinas de biodiesel na região Sul pela Petrobras.

O deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), autor do requerimento para a auditoria, não se contentou com as explicações do então presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, hoje ministro do Desenvolvimento Agrário. Em dezembro passado, em audiência na Câmara, Rossetto negou que tenha havido superfaturamento na compra das usinas.

Segundo Heinze, as contas não fecham porque a usina de Marialva, no Paraná, foi adquirida integralmente pela Indústria e Comércio de Biodiesel Sul (BSBios) em setembro de 2009, pelo valor de R$ 37 milhões e, apenas dois meses depois, a Petrobras Biocombustíveis comprou a metade da empresa por R$ 55 milhões. Dois anos depois, a Petrobras desembolsou mais R$ 200 milhões pela metade da unidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

 

Superfaturamento

 “Há um levantamento, feito junto às empresas que atuam com biodiesel, que demonstram que fazer duas usinas do porte das que estão em Marialva e Passo Fundo custaria de R$ 180 a 190 milhões. A Petrobras pagou R$ 255 milhões por 50% dessas duas. Nós entendemos que houve superfaturamento”, disse Heinze.

Na avaliação do parlamentar, a situação é “extremamente delicada” pois envolve recursos vultosos da União e requer que o TCU faça uma auditoria legal, financeira, contábil e operacional dessa negociação. “Que apure se os valores realmente estão de acordo com o mercado ou se houve superfaturamento e, se comprovado a má fé, puna severamente os responsáveis e peça o imediato ressarcimento dos valores aos cofres públicos.”

 

Explicações

A Petrobras Biocombustível apresentou auditorias externas feitas na época sobre a compra das usinas. E Rossetto explicou que, enquanto a primeira usina estava em fase de pré-operação, com produção prevista de 129 milhões de litros/ano, a unidade de Passo Fundo se encontrava operacional, com capacidade de produção de 159 milhões de litros/ano e ainda contava com uma esmagadora de grãos e local de armazenagem.

"Estamos muito seguros de que, do ponto de vista técnico, nós poderíamos, sim, ampliar essa participação do biodiesel sem nenhum prejuízo para o consumidor nem para os motores e equipamentos de biodiesel", argumentou.

 

Auditoria

O TCU deve distribuir a auditoria para um ministro, que após realizar a coleta de dados deve responder à comissão se houve irregularidades.

 

Oposição articula proposta para investigar Petrobras

No Senado e na Câmara, eles querem chamar autoridades e pedem CPI.

Líder do PT se diz ‘tranquilo’ e acredita que tema ficará ‘esvaziado’.

Fonte: G1

 

Nos próximos dias parlamentares de oposição pretendem avançar nas denúncias de compra supostamente superfaturada da refinaria de Passadena nos EUA em 2006. Além de coletar assinaturas para a criação de uma CPI, deputados e senadores tentarão aprovar convites para que ministros e membros da estatal prestem esclarecimentos.

As iniciativas para investigar a estatal e o governo Dilma Rousseff se intensificaram na última quarta-feira (19), quando o jornal “O Estado de S.Paulo” publicou reportagem informando que a presidente Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras concordou com a compra da refinaria, que custou R$ 1,18 bilhão. A transação é objeto de investigação do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). Em nota, o Palácio do Planalto informou que Dilma só aprovou a compra quando presidia o Conselho da Petrobras, em 2006, devido a um parecer “falho”.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse estar "tranquilo" com a movimentação dos oposicionistas. “Naturalmente que a oposição vai tentar se aproveitar desse episódio [da Petrobras], mas estamos muito tranquilos. Acho que esse tema vai ficar um pouco esvaziado. Agora o debate é se houve prejuízo ou não [na compra da refinaria] e isso já está sendo investigado”, declarou Costa.

 

Pedidos de informação e convites

Os parlamentares também querem continuar provocando o governo com convites a autoridades para esclarecimentos e pedidos de informação. Na sexta, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (SP), solicitou diretamente à Petrobras, por meio da Lei de Acesso à Informação, cópia do processo administrativo que tratou da compra da refinaria de Pasadena e de toda a documentação submetida ao Conselho de Administração da empresa que avalizou o negócio.

Já o líder do PSB, senador Rodrigo Rollemberg (DF), protocolou na quinta-feira requerimento nas comissões de Fiscalização e Controle e de Assuntos Econômicos com pedido de convocação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e da presidente da Petrobras, Graça Foster, para esclarecer o caso.

Na Câmara, o líder do Solidariedade, Fernando Francischini (PR), vai protocolar na Comissão de Segurança Pública pedido de convite para audiência pública com quatro membros e ex-membros da Petrobras: a presidente da estatal, Graça Foster; o ex-presidente Sérgio Gabrielli; e ex-diretor da Área Internacional da empresa Nestor Cerveró; e o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto da Costa, preso nesta semana em operação da PF.

Para Francischini, é preciso que a oposição atue em conjunto nos próximos dias. “Acho que a ação principal é traçar metas. E nós, como oposição, temos que fazer uma coisa coerente, de acordo com uma empresa que tem importância como a Petrobras. Cada dia sai uma bomba nova”, declarou. Ele também pede o apoio de membros do chamado blocão, grupo de deputados de partidos da base insatisfeitos com a relação com o governo.

Nesta semana, um grupo de cinco senadores considerados independentes em relação ao governo deverá protocolar na Procuradoria-Geral da República representação com pedido de investigação da presidente Dilma Rousseff em razão de ela ter assinado documento em favor da compra da refinaria de Pasadena.

 

Petrobrás cai de 12ª para 120ª em ranking de maiores empresas

Fonte: Estadão

 

A página do jornal Financial Times na internet publicou reportagem na sexta-feira, 21, sobre a perda de valor de mercado das empresas de países emergentes. O texto destaca o tombo da Petrobrás. Segundo a publicação, o valor de mercado da estatal brasileira despencou e a empresa que já foi a 12ª maior do planeta há cinco anos caiu para o 120º lugar atualmente.

"Uma das maiores quedas foi da Petrobrás, a empresa petrolífera estatal brasileira. Cinco anos atrás, era a 12ª maior empresa do mundo pelo valor de mercado. Um ano atrás, era a 48ª e hoje é a 120ª maior, com um valor de mercado de US$ 76,6 bilhões", diz o texto. O levantamento feito pelo jornal diz que entre as 100 maiores empresas do mundo há apenas 11 emergentes e nenhuma é brasileira.  "Hoje, não há nenhuma empresa emergente no Top 10 (de valor de mercado do mundo) e apenas a Petrochina permanece no Top 20", diz a reportagem. A estatal chinesa do petróleo é a 16ª maior companhia com valor de mercado do mundo. Entre as demais emergentes, praticamente todas são da China: ICBC (22º), China Mobile (31º); China Construction Bank (36º); Tencent (43º); Agricultural Bank of China (51º); Bank of China (62º); China Petroleum (80º) e Sabic (87º). 

Além da Petrobrás que deixou de figurar entre as 100 maiores, o banco Itaú Unibanco, a colombiana Ecopetrol e a mexicana América Móvil também caíram e não estão mais entre os 100 primeiros do ranking citado pelo FT.

 

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