Pesquisa revela: 90% dos grêmios estudantis têm acordo com empresas cervejeiras

Redação 

 

O consumo do álcool vem crescendo entre os jovens, principalmente no meio dos universitários. 

 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) divulgada nesta sexta-feira, 16, no Seminário Internacional Álcool e Violência, organizado pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), em São Paulo, cerca de 90% das atléticas de universidades públicas e particulares da capital paulista firmaram acordo formal com a indústria para a venda de cervejas. 

O estudo foi feito entre setembro de 2013 e maio de 2014 e mostra que a maior parte das agremiações estudantis ouvidas pelos pesquisadores tinham algum tipo de parceria com empresas  cervejeiras. Com a parceria as agremiações conseguem preços baixos na compra dos produtos, além de conseguirem patrocínio para eventos e prêmios por metas alcançadas na venda de latinhas de cerveja. 

Segundo Ilana Pinsky, professora do departamento de psiquiatria da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo, 86% das instituições apresentam o acordo, as demais atléticas queriam ter, mas não conseguiram firmar o acordo porque não havia estrutura suficiente para a parceria. 

Os pesquisadores revelam que esse tipo de parceria aumenta o risco de abuso e dependência do álcool em parte da população que é mais vulnerável. Pinsky afirma também que, os jovens de 18 a 24 anos já consomem álcool de maneira mais abusiva. Para ela, esse tipo de ação da indústria, estimula o consumo de álcool sem qualquer limite, tornando a pessoa dependente. Ela diz que, até 2009, não havia registro desse tipo de acordo. 

A pesquisa aponta ainda que metade dos entrevistados disseram nunca ter pensado nos riscos do consumo de bebidas alcoólicas. Os demais relataram que já vivenciaram ou presenciaram situação de risco após o uso abusivo, como dirigir embriagado, se envolver em brigas e fazer sexo sem proteção. 

Pinsky ressalta que o álcool é tratado como se fosse um produto qualquer. Mas ela afirma que as universidades e o governo deveriam impedir esse tipo de parceria

 

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