Especial: evite o estresse no trânsito
Trânsito, ansiedade, desperdício de gasolina, de dinheiro e de tempo.
Se você dirige em qualquer grande cidade do Brasil, provavelmente já está familiarizado com esses problemas. Mas nem todas as dores de cabeça causadas pelos congestionamentos que enfrentamos diariamente são percebidas de imediato. Aliás, as horas paradas atrás do volante podem trazer muito mais do que meras dores de cabeça.
O motorista que passa muito tempo dentro do carro é alvo fácil de uma série de problemas de saúde, desde acnes no rosto, causadas pela poluição, até o chamado tromboembolismo, coágulo que aproveita a falta de circulação sangüínea e se instala nos membros inferiores, podendo parar no cérebro e causar até mesmo um AVC (acidente vascular cerebral).
Mas, embora seja o mais perigoso, o embolismo é uma das doenças menos comuns entre os motoristas, atingindo, normalmente, pessoas que já apresentam algum sinal de deficiência na circulação, como as varizes. “O incômodo mais freqüente enfrentado por quem dirige é, na verdade, a dor muscular localizada, chamada de mialgia”, explica Dirceu Rodrigues, médico-chefe do Departamento de Medicina Ocupacional da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). Segundo Rodrigues, essas dores decorrem da soma de dois fatores: excesso de tempo sentado e movimentos repetitivos, como esterçar o volante, mudar as marchas e pisar na embreagem – que também podem causar tendinites e L.E.R (lesão por esforço repetitivo).
O taxista Marcos Antônio Galeski, 45 anos, é uma prova do que essa combinação pode acarretar. Dois meses atrás, os 200 km que Galeski roda por dia decidiram mostrar ao motorista seus efeitos. “Uma vez eu estava dirigindo e me deu uma dor muito forte no braço. Chegou uma hora que o pescoço travou e as pontas dos dedos ficaram formigando, aí tive que parar no meio do expediente e voltar para casa.” Porém, mesmo suspeitando tratar-se de uma bursite (inflamação nas bursas, bolsas localizadas no ombro que impedem o atrito entre tendões e outros tecidos) e apesar de ter sentido dores no braço por mais uma semana, ele fez como muitos na mesma situação: em vez de procurar a ajuda de um clínico geral ou de um ortopedista, empurrou o problema.“Tomei um analgésico e voltei a trabalhar no dia seguinte”, lembra o taxista.
A produtora de eventos Adriana Reis, 38 anos, também passa um bom tempo no trânsito, mas, ao contrário de Galeski, toma algumas precauções para que as três ou quatro horas diárias atrás do volante não se voltem contra seu bem-estar físico. Além de dirigir um carro automático, Reis pratica exercícios regulares, uma das chaves para evitar os típicos desconfortos. “Era normal eu sentir dores no pescoço, mas depois que comecei a ginástica, isso melhorou bastante”, conta Adriana, praticante de ioga e pilates.
Segundo a consultora esportiva Stella Krieger, a ioga e o pilates praticados por Adriana Reis são duas das modalidades mais indicadas para contra-atacar as dores localizadas, além da musculação. Krieger diz que, de tanto ouvir os alunos de sua academia reclamar dos congestionamentos, acabou desenvolvendo um programa especial de alongamentos, que pode ser realizado dentro do carro (confira as fotos com os exercícios). “Era tanta gente chegando estressada da rua que eu resolvi desenvolver essa série”, explica a professora, que antes de iniciar suas aulas também dá um tempinho para as pessoas respirarem fundo e se acalmarem, outra maneira que, segundo ela, pode prevenir as dores do trânsito.
E o básico inspira-expira das aulas de ginástica é só uma das formas de evitar sintomas indesejados. “Uma pausa de vez em quando para sair do carro e esticar as pernas tem ótimos efeitos para a circulação”, observa o médico Dirceu Rodrigues. Outras medidas preventivas são o posicionamento correto do assento, o uso de calçados adequados, a adoção de uma postura correta (veja as fotos com vícios de postura) e até mesmo o uso de acessórios ortopédicos, como o revestimento de bolinhas usado nos bancos e a capa de borracha para volantes. Quem quer investir um pouco mais pode ainda equipar seu carro com direção hidráulica e câmbio automático, que reduzem a tensão sobre os ombros e o vaivém de pernas e braços.Com alguns cuidados, é possível tornar os congestionamentos menos nocivos à saúde. Se não dá para fugir dos típicos engarrafamentos, pelo menos algumas conseqüências desse pesadelo moderno podem ser revertidas. Stella Krieger dá a dica: “Podemos encarar as horas dentro do carro de uma outra forma. Se bem aproveitadas, elas podem até ser aquele tempo para parar e relaxar que não encontramos na correria do dia-a-dia”.
Ler 547 vezes
Entre para postar comentários
Top