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Parabéns, você já está eleito e diplomado;  Comece já a pensar no que vai fazer
Para fazer, você tem que conhecer a cidade. Ok! Você percorreu os inúmeros bairros da cidade e todo o interior do município durante a eleição, conhece todas as lideranças e os problemas dos seus eleitores. Mas, isso não quer dizer que você domina e sabe para onde a cidade  e seu município vão.
Vai ter que ter uma visão do desenho, da estrutura de crescimento, pois aí que vai se consolidar a tua prioridade; é nesse desenho de vida e trabalho juntos que você vai ancorar o cenário, que você vai propor aos teus habitantes.
A tua proposta de mobilidade, moradia, trabalho, lazer, educação, saúde, pavimentação, recuperação de estradas, incentivo ao desenvolvimento, tudo junto e integrado. Vai aqui uma sugestão. Comece desenhando a tua cidade, o teu município.
As nossas cidades (aqui da microrregião) não dependem de transporte público. Mas têm muitas outras prioridades. Vá pensando como revitalizar o centro, e outros setores que estão decadentes na cidade. Não esqueça do interior, do agricultor, da família que vive no campo. Pense numa nova periferia, repensá-la como parte viva de uma cidade, e não como área marginalizada que receba doses homeopáticas de infra-estrutura e equipamentos sociais. Lembre-se que uma cidade, onde o jovem e a criança não têm espaço para a criatividade, perde muito. E a criança não existe, somente a partir da escola, mas, a partir do momento em que nasce.
Não aceite a manipulação da tragédia. Fuja das siglas; não corra só atrás das necessidades, porque aí, você não mudará nada. Mas, não se fixe só nas potencialidades, porque aí, você irá se afastar das pessoas. É o balanço diário das duas necessidades e potencialidades que é o fundamental.
A cidade não é tão complexa quanto os vendedores de complexidades querem nos fazer acreditar. País subdesenvolvido é o que compra como última novidade o obsoleto.
Fuja do superdimensionamento; dimensionar obras para a máxima tragédia quando melhor é preparar a cidade para a tragédia do cotidiano. E, por favor, comece! Inovar é começar. Não sejam os políticos de sempre, pois no próximo dia 1º de janeiro tomam posse 5.565 prefeitos em todo país, com o mesmo número de vices. Todos se esforçaram muito nas campanhas, prometeram o que poderiam e o que não poderiam cumprir. Na campanha, muitos gastaram valores que não dispunham cujos pagamentos sairão dos cofres das prefeituras (infelizmente). Depois de eleitos muitos já mudam o discurso das promessas. Após a posse o que se ouve é que "sabia da situação, mas não que fosse tão grave como é". A crise, ela sempre existiu, a que está em andamento é só mais uma. E a meta passa a ser o afastamento da população, das mesmas pessoas que foram beijadas, filhinhos nos braços, muitos cafezinhos e outras situações caricatas.
Agora seria a vez da população não aceitar o afastamento e se juntar aos seus administradores para evitar a corrupção que grassa nas prefeituras municipais. De acordo com o Jornal O Globo de 11 de agosto de 2008, a Controladoria Geral da União – CGU fiscalizou 180 municípios e encontrou irregularidades em todos. Foram mais de 3000 desvios em apenas 3% dos municípios. A maioria foi de repasse da saúde, educação e desenvolvimento social. Tem notícia de desvio até para churrasco. E já existem quadrilhas especializadas em fraudar prefeituras.
Não existem mecanismos disponíveis para que a população atue nessa fiscalização. Mesmo por que essa função pertence aos vários órgãos oficiais. Aos tribunais de contas, aos conselhos municipais e ao Ministério Público.
Para fiscalizar é preciso saber os valores dos repasses estaduais e federais e quando ocorrem. Os novos prefeitos deveriam criar imediatamente uma página na internet onde constasse a entrada e a aplicação do dinheiro. Mesmos nos sítios atuais não existem prestação de contas simples que a população possa entender.
Priorizar a educação seria a medida mais acertada. As prefeituras têm que financiar ou bancar curso superior para os professores que ainda só têm o ensino médio.
Têm que realizar exames periódicos e obrigatórios para aferir o conhecimento dos alunos em cada série. Importante: avaliar os seus professores, procurar saber se o planejamento está sendo aplicado. Embora prometam nas campanhas, priorizar tudo é impossível, até porque deixa de ser prioridade. A população deve fiscalizar tudo, como não pode, deve acompanhar de perto a educação para que o Brasil consiga extinguir o analfabetismo até 2012. A extinção do analfabetismo só ocorrerá no país se cada prefeitura se encarregar de extinguir na sua municipalidade. Uma meta que deveria estar na cabeça de cada prefeito que tomasse posse em primeiro de janeiro próximo, que deveria ser definido como o dia "D" da educação.
O povo decidiu. Boa sorte na sua gestão!
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