Pesquisa inédita traça perfil da leishmaniose visceral na tríplice fronteira
Assessoria

Fonte: Assessoria SESA

Municípios da fronteira Brasil-Argentina-Paraguai estão sendo alvo de uma pesquisa inédita para avaliar a introdução e disseminação da leishmaniose visceral na região.

 

O estudo vai mapear ainda as áreas de risco para transmissão da doença, o que servirá de base para a elaboração de ações conjuntas de controle.
Até o início da pesquisa, em 2012, o Paraná não tinha casos autóctones de leishmaniose visceral em humanos ou cães, considerado o reservatório natural da doença. Diferentemente dos vizinhos Paraguai e Argentina, o Estado também não tinha registros da circulação do inseto transmissor da leishmaniose, mais conhecido como “mosquito-palha”.

A chefe da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores da Secretaria Estadual da Saúde, Themis Leão Buchmann, explica que até 2012 só eram registrados casos importados, de cães que tinham passado por regiões endêmicas. “Sabíamos que a introdução da leishmaniose visceral no Paraná era possível. Por isso, reforçamos o monitoramento e pudemos identificar cães infectados em Foz do Iguaçu”, destacou.
No Brasil, o projeto está sendo desenvolvido através de uma parceria entre a Secretaria Estadual da Saúde, Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu e Universidade Federal do Paraná. Parte do financiamento tem o apoio do International Development Research Center – IRDC do Canadá. Também contribuem as Universidades Estaduais de Maringá e Londrina (UEM e UEL).

 

Metodologia
O estudo leva em conta questões referentes à circulação do inseto, identificação de cães infectados e aspectos antropológicos que estão influenciando no avanço da doença. Nesta primeira fase, a pesquisa está focada nas cidades de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad Del Este (Paraguai). Nas próximas etapas, a intenção é expandir o trabalho para municípios vizinhos, como Santa Terezinha do Itaipu.
Nas últimas semanas, profissionais da Secretaria da Saúde realizaram um trabalho de campo em bairros estratégicos de Foz do Iguaçu. Foram instaladas 130 armadilhas para captura de insetos infectados. A ação contou com apoio das equipes da prefeitura de Foz do Iguaçu, do Centro de Controle de Zoonoses, UFPR e dos Núcleos de Vigilância Entomológica de Guaíra, Porto Rico, Maringá e Foz.

 

Doença
O médico da Secretaria Estadual da Saúde, Alceu Bisetto Júnior, afirma que a transmissão da leishmaniose visceral só ocorre a partir da picada de um “mosquito-palha” infectado. “O cão é o reservatório natural do protozoário causador da doença. Por isso, se o inseto picar um cão infectado e depois picar um ser humano, a transmissão ocorre”, disse.
A doença compromete o funcionamento da medula óssea, do fígado e do baço e pode levar a morte. “Ela evolui de forma lenta e se manifesta a partir de sintomas como emagrecimento, febre, anemia e aumento no tamanho do baço e do fígado”, ressalta Bisetto.

 

Retaguarda
O Governo do Estado também está atuando para organizar uma rede de retaguarda para o atendimento de pacientes que por ventura sejam infectados pela leishmaniose visceral. Profissionais de saúde da região estão sendo capacitados quanto às condutas indicadas para a vigilância e manejo clínico de casos.

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