Especialista italiano debateu cenário e modelos de negócios com empresários do vestuário região Sudoeste
Assessoria sebrae

Evento promovido pelo Sebrae/PR e Sindicado das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar) reuniu proprietários e gestores de empresas na região.


Empresários da indústria de moda da região sudoeste do Estado participaram, nos dias 14 e 15, em Francisco Beltrão, do Workshop Internacional de Moda & Vestuário - Novos Modelos de Negócios. Ministrado pelo especialista italiano, Enrico Cietta, o evento promovido pelo Sebrae/PR e o Sindicado das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar), falou sobre modelo de negócio, mudanças mercadológicas e também como empresas de moda italiana conseguiram superar momentos de instabilidade para se transformarem em referência no mercado mundial.

Consultor de grandes empresas da Europa no setor e autor de livros como “O valor da Moda” e “A Revolução do Fast-fashion – Estratégias e modelos organizativos para competir nas indústrias híbridas”, Enrico Cietta disse que não é mais suficiente para uma empresa de moda, apenas produzir e vender.

“Sempre vai produzir roupas, mas de uma forma diferente, com valor agregado que deve ser percebido pelo consumidor. Não se trata mais de uma questão de qualidade objetiva, mas de uma questão da qualidade percebida pelo consumidor”, apontou.

Sobre a concorrência com a China, Enrico garantiu que essa nem chegou ao Brasil, mas que vai chegar a e saída é não pensar a moda, a roupa, como commodities. “A roupa não é uma commoditie. Compete com a China quem pensa que a roupa é commoditie. É preciso pensar no mercado com o produto que chamo, de produto híbrido, que possuiu um valor físico material, mas que carrega um valor imaterial, que é percebido pelo consumidor, como informação e valor da marca”, destacou.

A concorrência com China, inclusive foi um exemplo citado pelo palestrante para falar como a indústria italiana superou momentos de instabilidade a cerca de 20 anos, citando o mercado calçadista.

“As importações da China triplicaram. Então as empresas aprenderam a competir e focar em outros mercados. Por exemplo, 85% dos calçados produzidos hoje na Itália são exportados. Um produto com valor agregado alto, um exemplo claro de mudança de mentalidade e de modelo de negócio”, ilustrou.

Dificuldade econômica
Para Enrico, a situação da crise é, na verdade, uma oportunidade, porque os pontos mais críticos de um modelo de negócio aparecem com mais evidência. Quando o mercado vai bem, fica mais fácil e muitas vezes os custos invisíveis não são percebidos.

“Um custo invisível, por exemplo, pode ser o atraso na entrega de um pedido. O custo visível é o possível cancelamento da compra pelo cliente. O invisível é que ele dificilmente comprará outra vez deste fornecedor. No mercado complicado, competitivo, é um fator relevante para uma empresa”, ponderou.

Sobre a produção de moda nacional e na região, o especialista italiano explicou que está em fase de transição, e o resultado, bom ou mau, dependerá de fatores como a mudança de mentalidade do empresário, mudança no conceito de private label, e na chegada da competição com exterior.

“De um modo geral, na região Sudoeste, considerando o que é produzido no Brasil, temos uma qualidade alta em relação até a outros estados. Agora é preciso trabalhar o conceito de design e apostar em marcas próprias. Primeiro temos que conhecer o mercado para então partir para investir no design e no desenvolvimento”, completou.

Enrico também fez uma análise da evolução do mercado da moda, falou das mudanças na cadeia de valor e apontou como inovar no modelo de negócio e se adaptar ao sistema atual e as estratégias de diferenciação e sustentabilidade no setor do vestuário.

Para o empresário do setor, com indústria em Dois Vizinhos, Sérgio Luiz Marchese, o workshop foi oportuno, tanto pelo momento econômico, quanto pelas informações apresentadas e debatidas com o grupo.

“O Enrico é conhecido no mundo pelo seu trabalho e compartilhar isso com o setor na região, abre a nossa visão com as tendências, problemas e oportunidades que estão chegando. Com certeza deu uma mexida para a gente parar e repensar estratégias do negócio”, analisou Marchese.

Eugênio Konopatzki, empresário do setor em Francisco Beltrão, ressaltou que o italiano demonstrou ser um profundo conhecedor do mercado mundial e que os desafios debatidos e caminhos propostos são importantes para as empresas.

“Foi muito importante ter esse debate. Principalmente, porque estamos dentro do contexto, no caminho apontado e que a hora é justamente de pensar os negócios. Por exemplo, com a alta do dólar, quem compra fora, deve começar a olhar para o mercado interno”, ponderou Eugênio.

Participação
A consultora do Sebrae/PR, Jocelei Fiorentin, destacou que o objetivo do Workshop Internacional de Moda & Vestuário - Novos Modelos de Negócios, foi atendido, tanto pela grande participação dos gestores das empresas de vestuário da região, quando pelo nível de conteúdos e debates.
“Com certeza o evento trouxe uma série de informações pertinentes, principalmente relacionados a novos modelos de negócios e a percepção de que é preciso trabalhar a indústria integrada com o varejo. Esse trabalho deverá continuar em 2016 acompanhados pelo Enrico, através de um programa específico de gestão, dentro do projeto de Potencialização da Industria da Moda, focando atividades em padrão de empresas de Alto Potencial,” concluiu Jocelei.

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