O Papel do farmacêutico no cuidado da sua saúde!  Migrânea (ou enxaqueca)!
Acervo Pessoal

O nome migrânea deriva do grego hemigrania, que por sua vez remete a característica freqüente de dor unilateral, e é um termo que se utiliza para denominação da enxaqueca em artigos da área.

 

A Sociedade Brasileira de Cefaléia aponta que cerca de 13 milhões de brasileiros são acometidos diariamente por dores de cabeça. A Organização Mundial da Saúde destaca a enxaqueca como a 19a doença mais incapacitante. No Brasil, a prevalência é de 15% e representa cerca de 35% das consultas neurológicas.

A migrânea ou enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça mais intensa e de caráter crônico. Trata-se de uma doença neurovascular que tem como principal sintoma a dor de cabeça, esta ocorre com freqüência variável entre os pacientes, podendo alguns deles ter crises esporádicas durante a vida e outros apresentarem diversos episódios durante o mês. Outro conjunto de sintomas neurológicos que acompanha alguns pacientes de enxaqueca é chamado de aura, que aparece geralmente antes do episódio de dor de cabeça. A manifestação visual da aura é a mais comum, como flashes de luz, falhas no campo visual, formação de imagens brilhantes ou em ziguezague. Formigamento e dormência no corpo são manifestações mais raras. Sensibilidade a odores, barulho, náusea e vômito aparecem com freqüência.

Esses sintomas todos são gerados em diferentes áreas do cérebro, que nos pacientes de enxaqueca apresentam uma maior sensibilidade. Neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina, glutamato e dopamina têm funcionamento diferente nesses pacientes, principalmente quando expostos aos já conhecidos desencadeadores de crise, ou gatilhos. Os principais deles são alterações de humor, irritabilidade, preocupações excessivas, períodos prolongados de jejum, noites mal dormidas, fatores hormonais, consumo excessivo de cafeína, sedentarismo, uso abusivo de analgésicos e consumo de alguns alimentos específicos como chocolate, frutas cítricas, alimentos gelados, gordurosos, condimentados, também em alguns casos, o consumo de leite e derivados podem servir como gatilho de crises, além claro, de fatores genéticos.

As crises são classificadas de acordo com a intensidade dos sintomas apresentados, podendo variar de leve a grave, dependendo do grau de incapacidade que provocam no paciente. Algumas condições associam-se a migrânea com uma freqüência relativamente grande, são as chamadas comorbidades. Estas ocorrem, segundo pesquisadores, devido às alterações nos neurotransmissores.

As mais reconhecidas são depressão, ansiedade, síndrome do pânico, transtornos de humor, dificuldade de concentração e memória, distúrbios do sono, tonturas, transtornos gastrointestinais, como síndrome de intestino irritável, constipação crônica ou diarréia, dores abdominais recorrentes, bem como outras dores, dentre elas, fibromialgia, tendinites e dores na coluna.

Conhecer e diagnosticar a presença da enxaqueca e suas comorbidades de forma precoce é muito importante para o sucesso do tratamento. Dificilmente o quadro se inicia com dores diárias, estas geralmente surgem na juventude com crises esporádicas, o que aumenta os casos de automedicação. Conforme os fatores desencadeadores forem mais freqüentes e com isso também as crises, a tendência são doses de medicamentos cada vez maiores, bem como uma variedade de analgésicos cada vez maior. Quando chegam ao especialista, geralmente a dor já é diária e a lista de medicamentos que não fazem mais efeito é extensa.

No caso da migrânea o tratamento é preventivo e individualizado de acordo com a necessidade de cada paciente. Isso reforça a importância de evitar a automedicação e sempre procurar um profissional habilitado para que o diagnóstico seja precoce e o tratamento mais eficiente, assim a qualidade de vida pode ser mantida.

Mariana Kist Pompermaier (Farmacêutica – CRF-PR: 24332)

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