O Papel do farmacêutico no cuidado da sua saúde!  Fotoproteção!
Acervo Pessoal

Proteger a pele contra queimaduras solares, por meio de roupas, acessórios ou pela não exposição ao sol, é um hábito que acompanha a humanidade desde seus primórdios.

Do final do século XIX é que datam os primeiros relatos científicos sobre a tentativa do uso de agentes fotoprotetores. Em 1891, foi publicado o primeiro artigo em que Friedrich Hammer discutia a fotoproteção e o uso de diversificadas substâncias preventivas de queimaduras solares. Em 1928, nos Estados Unidos, foi comercializado o primeiro filtro solar. Na segunda guerra mundial, devido à necessidade de proteção dos soldados, aumentou significativamente a utilização de substâncias fotoprotetoras. Em 1943 foi patenteada a primeira formulação de filtro solar, contudo, somente em meados dos anos 70 é que houve a popularização dos fotoprotetores, com a incorporação de diferentes filtros UVB em cremes e loções.

Nos anos 80 os primeiros estudos demonstraram a relação dos raios ultravioleta no desenvolvimento de câncer de pele. Foi a partir daí que o protetor solar passou a ser visto não somente como um agente contra queimaduras solares, mas também como elemento importante na prevenção de danos severos que levam ao câncer.

Os fotoprotetores são agentes com ação física ou química que atenuam o efeito da radiação ultravioleta por mecanismo de absorção, dispersão ou reflexão da radiação. Sua determinação de qualidade se dá pelo seu fator de proteção solar (FPS) e pelas suas propriedades físico-químicas, ou seja, formação de película protetora sobre a pele, estabilidade, baixa hidrossolubilidade, e hipoalergenicidade.

A determinação do fator de proteção solar (FPS) é feita por meio da relação que compara o tempo necessário para a radiação ultravioleta provocar uma reação eritematosa mínima (vermelhidão leve) na pele com filtro solar, em relação à mesma sem a proteção do filtro. A resultante é uma medida de tempo em minutos e não de potência. Para entender melhor, exemplifica-se com um indivíduo que pode permanecer ao sol por 10 minutos sem nenhuma proteção, com filtro de FPS 15 este tempo se prolongará 15 vezes, isto é, passará para 150 minutos (2 horas e 30 minutos). A eficácia dos filtros costuma ser classificada em termos de proteção contra queimadura solar e resistência à remoção. Produtos com alto fator de proteção solar são sempre mais aceitáveis, ainda que pessoas de pele naturalmente mais escura possam ser protegidas de forma adequada com níveis mais baixos.

A exposição aos raios ultravioleta pode induzir alterações sistêmicas, como aumento da concentração de vitamina D, contudo, a radiação ultravioleta, dependendo da predisposição individual, tempo e intensidade da exposição, pode causar envelhecimento precoce da pele, degeneração tecidual antiestética, fotodermatose, agravamento de doenças preexistentes, além de cânceres de pele. A exposição solar constante e prolongada é o fator ambiental mais importante para o surgimento de câncer de pele e para o envelhecimento precoce. O sol é a principal causa de 90% de todos os cânceres de pele.

Quando o hábito de expor-se frequentemente à radiação ultravioleta ocorre desde a infância, aos 21 anos o indivíduo já apresenta sinais de danos na pele. Aos 40 anos os sinais de fotoenvelhecimento caracterizam-se por presença de rugas, manchas, ressecamento e espessamento da pele, lesões pré-cancerosas e em alguns casos até mesmo o câncer de pele.

Algumas orientações são importantes para a utilização correta do protetor solar. Sua aplicação deve ser feita de 20 a 30 minutos antes da exposição ao sol, para que haja tempo de absorção, de modo que ele desempenhe seu efeito protetor. Ele deve ser espalhado em todas as áreas expostas, sem esquecer das orelhas e dorso das mãos e pés. Na região próxima aos olhos deve-se ter o cuidado de evitar as pálpebras, a fim de que ao suar, os resíduos não causem irritação aos olhos. Os fotoprotetores em bastão são boas sugestões para áreas mais sensíveis como lábios, nariz e orelhas. Mesmo sob as roupas, principalmente as claras e de tecido fino, o protetor deve ser utilizado, já que a radiação penetra o tecido, especialmente se este estiver molhado. Para a cabeça e os olhos, o uso de chapéu e óculos escuros é recomendado.

Com cuidados básicos o verão e as férias podem ser aproveitados com muito mais qualidade e saúde. Com produtos de procedência garantida, evitando as queimaduras, que causam grande desconforto e dor, previne-se também as conseqüências futuras à integridade da pele.

Mariana Kist Pompermaier (Farmacêutica – CRF-PR: 24332)

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