Pai, mãe e filhos?  Tipo tradicional, formado por um homem e uma mulher com filhos, já não é maioria no Paraná
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Essa coisa de família, papai, mamãe, vovó e titia é cada vez mais coisa do passado.

Com o passar dos anos e o avanço na garantia e respeito aos direitos individuais o núcleo familiar se tornou mais complexo e diversificado. Para se ter noção, a “família tradicional” (homem e mulher com filhos) já não é maioria no Paraná, aponta dados do IBGE. Além disso há uma crescente entre arranjos familiares como pais e mães solteiras, homem e mulher sem filhos, casais homossexuais com filhos e famílias reconstituídas, entre outros.

A primeira vez que o IBGE abordou no estudo aplicado a todos os domicílios do país a pergunta sobre a situação dos filhos nas famílias, verificando se o filho era do casal, apenas do responsável ou apenas do cônjuge, além de outras configurações, foi no Censo 2010.

O estudo acabou por revelar que o clássico “pai, mãe e filho” já não reinavam nos lares brasileiros. Na ocasião, foram listados 19 laços de parentesco (eram 11 em 2000) e os novos lares (“não tradicionais”) somaram 50,1% (28,7 milhões, quase 29 mil a mais que a “formação clássica”), sendo que em 1980 o núcleo tradicional estava presente em cerca de dois terços (66%) dos domicílios.

Anos depois, no Paraná outros tipos de arranjos familiares já somam quase 60% dos lares paranaenses. É que embora a PNAD 2015 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) aponte que 45,9% dos arranjos familiares são de casais com filhos, o estudo não explicita o que o Censo havia mostrado: desses 45,9%, cerca de 9,2% são de famílias mosaico (ou famílias reconstituídas).

Um exemplo desse tipo de família é a formada por Sergio Mezzomo, Bruna Aramoni e seus dois filhos, Vitor e Davi. O lutador de Taekwondo já possuía outros dois filhos de relacionamentos anteriores quando conheceu a atual namorada - sim, namorada, o que significa que além de se encaixarem nas famílias reconstituídas, os dois ainda representam um outro grupo que vem crescendo: o da união consensual.

Em 1970, 65% dos casamentos aconteciam no civil e no religioso, 14% somente no civil, 14% só no religioso e 7% eram uniões consensuais. Em 2010, o Censo revelou que o casamento no civil e religioso caiu para 43%, só no civil aumentou para 17%, só no religioso caiu para 3% e as uniões consensuais subiram para 37%.

“No começo foi diferente ter de lidar com isso (o fato do namorado ter outros filhos), mas logo acostumei, até porque também venho de uma família reconstituída”, afirma Bruna, cujos pais se separaram quando ela ainda era criança. Depois, ela viveu até se mudar com o namorado na mesma casa em que o pai vivia com a madrasta. Sobre o casamento, o casal afirma que é algo que está nos planos. “Mas agora temos outra prioridade. O dinheiro é curto”, afirma Sergio.

O IBGE, inclusive, já havia identificado a questão financeira como um dos fatores para a queda nos casamentos no civil e no religioso. Afinal, como dizem os mais velhos, “juntado com fé, casado é”.

Outro grupo que vem ganhando destaque são as mães solteiras. No Paraná elas representam 13,2% dos arranjos familiares. Entre 1990 e o começo dos anos 2000 o número de mães solteiras no Brasil cresceu 58,8%. Hoje, uma em cada três mães brasileiras cria seus filhos sozinhas. (Com informações site Bem Paraná)

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