O Papel do farmacêutico no cuidado da sua saúde!  Pitiríase Versicolor!

A Pitiríase versicolor é um infecção fúngica superficial caracterizada por lesões na pele que podem ser hipo (manchas brancas) ou hiperpigmentadas, eritematosas (avermelhadas) ou de coloração marrom escuro, justificando a denominação versicolor.

Pacientes portadores dessa micose geralmente apresentam múltiplas lesões no tronco, com regiões intercaladas de pele normal. Elas podem surgir também no pescoço e extremidades superiores proximais. Sua distribuição se dá normalmente paralela às glândulas sebáceas, com ocorrência maior no tórax, dorso e face. As lesões na face são mais comuns em crianças. Uma fina descamação, evidenciada pela distensão da pele (sinal de Zireli) e também pela raspagem da unha (sinal da unha) pode ser observada na superfície acometida.

Causada por uma levedura do gênero Malassezia spp, as lesões da pitiríase versicolor foram inicialmente descritas por Willan em 1801, mas a natureza fúngica do organismo foi reconhecida em 1846 por Eichstedt. Trata-se de um fungo que faz parte da microbiota normal da pele e pode torna-se oportunista em situações predisponentes. Fatores exógenos como o calor e a umidade elevados contribuem para que a doença seja mais prevalente em regiões de clima tropical e no verão de climas temperados. Outro fator exógeno pode ser a oclusão da pele por roupas ou cosméticos, o que resulta no aumento da concentração de dióxido de carbono, levando a alterações da microflora e do pH. Também fatores endógenos predispõem os indivíduos à manifestação da pitiríase versicolor.

Dermatite seborréica, síndrome de Cushing, tratamento com imunossupressores, desnutrição, hiperidrose e também fatores hereditários parecem desempenhar algum papel na doença.

Tanto na forma patogênica quanto na oportunista o fungo resiste dentro do estrato córneo e de folículos pilosos, onde é nutrido por ácidos graxos livres, triglicerídeos do sebo e epiderme queratinizada. Em uma queda do sistema imunológico o fungo passa a desenvolver as lesões. Apesar de não ser uma patologia que comprometa funções ou a vida e também, na maioria dos casos, com boa resposta de tratamento, o aspecto clínico das lesões acaba determinando grande estigma social.

Por isso é fundamental um diagnóstico preciso, para que o tratamento seja iniciado o mais breve possível. O diagnóstico da pitiríase versicolor é usualmente realizado apenas pelo exame clínico. A distribuição característica das lesões no tronco, pescoço e extremidades proximais constituem um fator relevante no diagnóstico. Contudo o exame micológico direto com raspado da lesão e o uso da lâmpada de Wood pode ser útil para confirmação e detecção de lesões subclínicas.

Vale lembrar que não se trata de uma doença contagiosa e que os hábitos de higiene precários não representam fator desencadeante dessa infecção. Um tratamento precoce e realizado de forma comprometida e correta pelo paciente resulta em cura, sem recidivas. Sem tratamento, a doença torna-se crônica. Se não tratado adequadamente tende a ocorrer novamente em torno de 60% dos casos em um ano após o tratamento e em 80% após dois anos. Logo após o tratamento, a área afetada permanece hipopigmentada por período de tempo variável, devido aos danos nos melanócitos.

Mariana Kist Pompermaier (Farmacêutica – CRF/PR: 24332)

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