Métricas da crise
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Editorial, Folha de S. Paulo

Divulgada na sexta-feira (19), a pesquisa nacional do IBGE sobre o mercado de trabalho mostrou uma piora menos intensa que a medida pelo levantamento restrito às principais áreas urbanas do país.

Neste último, tornado público em janeiro, o número de desempregados cresceu assustadores 61,4%, enquanto a renda média acumulou queda anual de 5,8% em dezembro de 2015, nas seis maiores regiões metropolitanas.

Os novos dados, coletados em cerca de 3.500 municípios, estimam um aumento de 41,5% da população desocupada, com retração de 1,3% dos rendimentos no trimestre encerrado em novembro, na comparação com o período correspondente do ano passado.

Uma explicação plausível para as discrepâncias é que, no interior e nas capitais mais pobres, a agropecuária, o emprego público e os programas de transferência de renda, menos afetados pela recessão econômica, têm maior peso na atividade local.

De acordo com a tradicional pesquisa metropolitana, que será descontinuada neste ano, 6,9% das pessoas de dez ou mais anos de idade que procuraram emprego em dezembro foram malsucedidas.

No levantamento nacional, que considera a idade mínima de 14 anos, a taxa de desemprego atinge 9% –um contingente de 9,1 milhões de trabalhadores, semelhante à população de Pernambuco.

Qualquer que seja a régua adotada, não resta dúvida de que o processo de degradação ainda esteja em andamento. A crise, que deu seus primeiros sinais com um recuo dos investimentos da indústria em 2013, avançou pelo setor de serviços e, por fim, chegou ao comércio varejista, que em 2015 encolheu pela primeira vez em 12 anos.

Com empresas na defensiva e mais gente em busca de vagas, o desemprego seguirá em alta, e a taxa caminha para os dois dígitos; a queda da renda reduz o consumo e perpetua o ciclo vicioso.

O Banco Central calculou em 4,1% o recuo da produção nacional no ano passado, e são cada vez mais comuns projeções de um percentual pior neste 2016. A contração da demanda doméstica é ainda mais aguda, dado que uma parcela crescente das mercadorias destina-se ao mercado externo.

Atônitos diante da derrocada de proporções inéditas, analistas tentam adivinhar quando virá uma recuperação que dependerá da capacidade do governo de apresentar uma política crível –uma variável que não está ao alcance das estatísticas disponíveis.

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