Nomofobia
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Se você já teve a impressão de ouvir o toque de seu celular em algum lugar ou a sensação

dele vibrar em seu bolso e, ao checar, descobrir que ninguém lhe ligou, cuidado, você anda

sofrendo de um novo distúrbio. Sim, se você ouvir o “toque fantasma” do celular, ou ter a prática

de deixar o aparelho ligado 24 horas, ou o manter sempre à mão sem tirar os olhos da tela,

atender o aparelho no banheiro, ou até mesmo interromper as relações íntimas para atender a

uma chamada, sentir pavor se a bateria acabou ou se a operadora estiver fora da área de

cobertura, é melhor procurar ajuda, você é um nomofóbico.

A palavra “nomofobia”, de que deriva “nomofóbico”, vem do inglês e do grego: no +

mobile + fobia e significa o temor de ficar sem celular. Em outras palavras, nomofobia é a

ultradependência tecnológica e o medo de ficar incomunicável por algum tempo sem poder usar

celular ou smarthphone. Segundo pesquisa, 66% dos norte-americanos sofrem com esse

problema e 53% dos ingleses sentem medo de perder ou de estar longe de seus celulares. No

Brasil já são 8 milhões de pessoas (4% da população) que apresentam esse distúrbio. A

dependência do uso do celular tem causado transtornos emocionais em pessoas de diferentes

idades, sexos e classes sociais. A dependência se equipara àquela dos usuários de drogas, que

não conseguem passar muito tempo sem o uso do objeto da dependência. Essa dependência tem

causado imensos transtornos e que vão desde ansiedade, angústia, até surtos de pânico ou de

depressão. Assim, ocorrem situações em que pessoas que são privadas do uso dos aparelhos

portáteis por algum tempo apresentam sintomas como insegurança, solidão ou mesmo

Pergunte-se: ─ Quantas vezes você enviou ou verificou mensagens ou entrou nas redes

sociais via celular na última hora? Se a resposta for mais que duas vezes, então você já é um

dependente tecnológico. É comum pessoas dependentes dos mobiles ─ assim são denominados

os telefones celulares e aparelhos similares na Europa e em outras partes do mundo ─ ficarem até

a madrugada com seus aparelhos ligados, isso quando muitos não permanecem ligados por toda a

noite, comprometendo as atividades escolares e profissionais do dia seguinte. Segundo estudos,

muitos pacientes que relatam o uso abusivo e a dependência dos meios eletrônicos (internet e

celulares) passam a apresentar prejuízos significativos na vida profissional, acadêmica (escolar),

É comum vermos famílias jantando nos restaurantes com o garfo em uma das mãos e, na

outra, os seus smarthphones. Com a família, nenhum diálogo, no entanto cada um tem

compulsão por verificar incessantemente se alguém curtiu suas postagens ou enviou alguma

mensagem. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) são consideradas conquistas

da humanidade. Isso é inegável. No entanto, cabe verificar e estudar seus impactos nas relações

sociais. Talvez estejamos valorizando demasiadamente nossos “amigos” virtuais e esquecendo

que a melhor convivência seja com as pessoas reais: família e amigos que estão ao nosso lado.

Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Site;

www.capitalsocialsul.com.br

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