Polêmica da película
Quatro jornalistas automobilísticos, Fernando Calmon, Boris Feldman, Bob Sharp e Luís Felipe Figueiredo uniram forças para evitar a aprovação do projeto de lei de autoria do deputado federal Capitão Wayne (PSDB/GO) que propõe a redução nos índices de transparência das películas automotivas.
Desde 1998, a Resolução 73 do Contran estabelece que o grau de transparência da película no pára-brisa não pode ser inferior a 75%; o dos vidros laterais dianteiros deve ter 70%, e dos traseiros 50%. O projeto de lei do deputado propõe a redução desses índices para 70%, 28% e 15%, respectivamente. A idéia de que reduzir a transparência das películas aumenta a segurança dos ocupantes do veículo é, no mínimo, obscura. "Aumentar os muros e decorar a casa com grades e outros sistemas de segurança é uma solução menos eficaz do que reduzir o número de ladrões", diz Luís Felipe Figueiredo, editor do site WebMotors e manifestante. Além da equivocada idéia de segurança contra assaltos, os jornalistas apontam também os perigos que o excesso de escurecimento nos vidros causa à visibilidade do motorista. Segundo eles, a aprovação da Lei seria um prejuízo à segurança no trânsito. Para Bob Sharp, um dos idealizadores do manifesto, a comunicação visual entre motoristas é fundamental para o andamento e a segurança do trânsito. "Quando um guarda faz sinal para quem está dirigindo, por exemplo, é essencial que ele tenha certeza de que a mensagem foi recebida. Vidro mais película com transparência inferior a 70% impedem esse entendimento", alerta o jornalista.O projeto de lei seria, na opinião de Bob Sharp, uma ameaça também à segurança de policiais, que correriam o risco de levar um tiro à queima-roupa. Ele aponta outros problemas decorrentes da visibilidade insuficiente, em especial no período noturno. "Os espelhos retrovisores se tornam inservíveis com pouca transparência. Ter vidros escuros demais no veículo é como continuar usando os óculos de sol no interior de um amplo estacionamento coberto, como os dos shoppings centers", conclui. Outros ângulos da questão são apontados pelo jornalista e também idealizador do manifesto Fernando Calmon, colunista do WebMotors. "Um deles é a quase anulação dos efeitos positivos resultantes da maioria dos carros possuir a terceira luz de freio. É estatisticamente comprovado que ela diminui o número e a intensidade das colisões traseiras. Logo, os motoristas mais conscientes constataram que era possível enxergar por meio de dois ou mais carros à frente, especialmente essa terceira luz de freio, antecipando-se a situações de risco e evitando acidentes. Essa possibilidade não existe mais com tantos carros utilizando uma verdadeira parede negra", sinaliza Calmon.Outra distorção grave, segundo Calmon, "é o motorista estar protegido, espertamente, de multas que só podem ser impostas por meio da transparência autorizada dos vidros, como uso do cinto de segurança, dirigir com apenas uma mão, usar celular ou fones de ouvido, entre outras transgressões. O pedestre ou outro motorista perdem ainda a importante comunicação visual - mesmo um simples movimento de cabeça ou das mãos; um gesto de cortesia ou de agradecimento - que é riscada do trânsito pesado do dia-a-dia em nome de uma proteção pessoal discutível ou, pior ainda, por razões pseudo-estéticas", diz.Calmon critica também a utilização, pela publicidade, de carros com "vidros absurdamente escurecidos como se fosse a coisa mais natural do mundo", e compara: "onde está a atitude responsável de só mostrar velocímetros com indicações compatíveis com os limites autorizados, responsabilidade que as fábricas, hoje, têm cuidado de mostrar nas peças publicitárias? Só existe total incongruência entre alardear itens de segurança e ao mesmo fazer o veículo desfilar com vidros escuros como breu."
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